Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Ambiente segue favorável à aprovação da reforma da Previdência, diz líder do governo

Os governistas seguem contando votos e, segundo fontes, ainda estão longe de alcançar os 308 votos para aprovar, em dois turnos, a proposta

Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

04 Janeiro 2018 | 17h55

BRASÍLIA - Articuladores do governo na Câmara se reuniram nesta quinta-feira, 4, em almoço com o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para discutir a retomada das negociações para aprovação da reforma da Previdência. A avaliação é que o ambiente para votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) ainda é favorável. "Estamos em viés de alta, a perspectiva é melhor que no final do ano passado", definiu o líder do governo no Congresso, André Moura (PSC-SE).

Os governistas seguem contando votos e, segundo fontes, ainda estão longe de alcançar os 308 votos para aprovar, em dois turnos, a proposta.

A percepção dos aliados do governo Michel Temer é de que o ambiente pró reforma melhorou e que há uma consciência difundida na opinião pública de que as mudanças são necessárias para a sustentabilidade do sistema previdenciário. 

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De acordo com Moura, como a maioria dos parlamentares está em viagem, a estratégia será manter contato telefônico com líderes partidários e com os deputados que passarem por Brasília nos próximos dias. Na opinião do líder, a pressão da sociedade contra a reforma hoje é "bem menor". "Vamos aproveitar o momento de otimismo para avançarmos", afirmou.

Ainda que o cenário seja positivo para o governo, Moura trabalha com a perspectiva de votação do texto até o final de fevereiro. Maia quer iniciar a votação a partir do dia 19 do próximo mês. "Não cravaria uma data. É a partir do dia 19", declarou.

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Ação de governo. O líder do governo no Congresso disse que a declaração do ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, sobre a concessão de empréstimos de bancos públicos a governadores mediante o esforço deles para convencer suas bancadas a votar favorável à PEC não teve efeito negativo na base aliada.

De acordo com Moura, os aliados não só apoiam a declaração de Marun como não enxergam o gesto como uma "chantagem" do governo federal. "A prioridade dos governadores são empréstimos e a do governo é a reforma. Eles (governadores) podem ajudar o governo", concluiu Moura.

No dia 16 de dezembro, Marun admitiu que o Palácio do Planalto estava pressionando os governadores e prefeitos a trabalhar a favor da aprovação da reforma da Previdência em troca da liberação de recursos do governo federal e financiamentos da Caixa Econômica Federal.

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"Realmente o governo espera daqueles governadores que têm recursos a serem liberados, financiamentos a serem liberados, como de resto de todos os agentes públicos, reciprocidade no que tange à questão da (reforma da) Previdência", disse o ministro.

Na ocasião, Marun negou que estivesse promovendo "chantagem" com governadores e prefeitos e destacou que os financiamentos da Caixa "são ações de governo".

O peemedebista disse que o governo está pedindo apenas uma "ajuda" em troca dos votos pela reforma. No dia seguinte, sete dos nove governadores do Nordeste enviaram carta aberta ao presidente Michel Temer protestando contra a declaração do ministro. 

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