Esforço para avançar

Ainda não é possível saber se, com os riscos fiscais crescentes, a meta de 4% se mostrará adequada

Zeina Latif, O Estado de S.Paulo

29 Junho 2017 | 22h25

O sistema de metas de inflação foi implementado em 1999, na esteira de outras experiências de sucesso no mundo. Não existe política pública perfeita, mas é justo afirmar que as metas têm funcionado bem, como refletido na tendência de queda da Selic. A meta está em 4,5% desde 2005, valor acima da média de países parecidos, o que significa inflação mais volátil. Há evidências de que países com meta mais baixa podem operar com taxa de juros mais baixa também.

O regime de metas, porém, não faz milagres. Países com política fiscal irresponsável acabam reduzindo sua eficácia. Foi o que ocorreu na gestão Dilma, o que se refletiu em inflação teimosa acima da meta.

Estamos virando uma página ao reduzir a meta para os próximos anos – 4,25% para 2019 e 4,0% para 2020.

Aqui, algumas ponderações. A meta de 2019 deverá ser perseguida já ao longo de 2018, ano que promete volatilidade eleitoral e, portanto, alguma pressão no dólar. Talvez não seja tão fácil cumpri-la como em 2017, até porque fatores transitórios ajudaram o BC este ano.

Ainda que estruturalmente possa haver espaço para esse passo, não está claro se é o melhor momento. Talvez o seja para um governo que busca boas notícias.

O regime de metas é feito para todos os agentes econômicos. Uma meta “quebrada”, com duas casas decimais, algo não observado em outros países, pode dificultar a compreensão da sociedade. Ainda mais considerando o teto da meta de 5,75% e o piso, 2,75%. Já a definição de meta de 4% em 2020 é bastante engenhosa. Dá importante sinal, ao indicar a trajetória desejada da inflação, e ajuda a blindar o BC de um próximo presidente menos cauteloso na gestão de política econômica.

Ainda não é possível saber se, com os riscos fiscais crescentes, a meta de 4% se mostrará adequada. Não dá para afirmar de antemão se a meta mais baixa vai gerar menor taxa de juros, por ser factível e crível, ou juros mais altos, pela razão contrária. As expectativas de inflação estão em 4,25%. Vão subir ou cair até lá? A ver.

 

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