ANÁLISE: Mercado de trabalho deve seguir fraco até o final do ano

A atividade, no geral, segue desaquecida, em meio a um ambiente de incertezas institucionais, o que reforça as estimativas de vermos um mercado de trabalho fraco até o fim de 2017

Tiago Cabral Barreira*, O Estado de S.Paulo

28 Julho 2017 | 22h04

Os dados da Pnad Contínua apresentados em junho confirmam a tendência de retomada lenta e gradual do mercado de trabalho. O resultado favorável de junho repete a sequência de quedas no desemprego registradas ao longo dos últimos meses. Contribuiu para esta queda no desemprego nos últimos meses a contínua melhora da População Ocupada (PO).

Contudo, muito desta melhora na PO vem sendo ocasionada pela retomada do emprego informal constituída por trabalhadores sem carteira assinada e trabalhadores por conta própria. Como exemplo, ambos os vínculos empregatícios se destacaram em aumento de PO entre março e junho. Em contrapartida, o total de trabalhadores com carteira assinada registrou no mesmo período queda absoluta de 75 mil. Outros vínculos que também observaram altas importantes entre março e junho foram os de trabalhadores no Setor Público.

Excetuando o setor de Administração Pública, o crescimento do emprego puxado pelos setores de comércio e serviços confirmam, portanto, um incremento na ocupação de setores tipicamente vinculados a atividades urbanas menos formalizadas e de baixa remuneração. Estes setores, quando somados, têm superado em geração de vagas aqueles mais ligados à contratação de empregos formais e de maior remuneração, como indústria.

Esta tendência de lenta queda do desemprego, com geração de vagas em setores ligados a atividades informais, deverá se manter nos próximos meses. A atividade, no geral, segue desaquecida, em meio a um ambiente de incertezas institucionais, o que reforça as estimativas de vermos um mercado de trabalho fraco até o fim de 2017.

* PESQUISADOR DO INSTITUTO BRASILEIRO DE ECONOMIA DA FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS

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