Analistas avaliam investimentos em 2002

É consenso entre os analistas que, mesmo que o próximo ano seja mais positivo em relação ao cenário macroeconômico, as oscilações podem ser significativas nos mercados. Isso porque há muitas incertezas no cenário - economia norte-americana e eleições presidenciais - que podem provocar uma mudança pontual no humor dos investidores, mas sem comprometimento de uma tendência mais positiva. Para quem pretende investir, a recomendação é avaliar o período em que o dinheiro ficará aplicado. Recursos com data certa para resgate devem ser direcionados para investimentos mais seguros, como os fundos DI, cujo rendimento acompanha as taxas de juros. O mercado de ações pode trazer bons ganhos, mas as oscilações podem ser fortes. Já o mercado cambial tem risco ainda maior de oscilações. Para o estrategista do Deutsche Bank, José Cunha Cunha, uma das principais recomendações é que o investidor escolha ativos com alta liquidez - facilidade de negociação - já que, devido às incertezas do cenário (veja mais informações no link abaixo), o investidor deve reavaliar com freqüência a alocação dos seus recursos, principalmente os de curto prazo. Outra recomendação do estrategista do Deutsche Bank é a diversificação das aplicações. Fundos DI e renda fixa As taxas de juros devem recuar em algum momento, o que favorece aplicações com taxas prefixadas. Esta rentabilidade maior depende do momento em que o investidor fez a sua aplicação, uma vez que as carteiras são avaliadas diariamente de acordo com preço dos títulos no mercado. Para quem busca diversificação, as aplicações em renda fixa prefixada são uma alternativa de investimento, mas, no curto prazo, o ganho dos fundos pós-fixados pode não compensar o risco assumido. Mas quem fizer essa aposta deve estar preparado para oscilações nas taxas de juros, o que pode resultar até mesmo em perdas se o investidor sacar em um momento desfavorável. Para quem tem uma data certa para resgate, a sugestão é buscar uma segurança nos fundos DI, cujo rendimento acompanha as taxas de juros. Mas, antes de escolher a sua aplicação, a recomendação principal ao investidor é a atenção com as taxas de administração. Trata-se de um custo que incide sobre o patrimônio total da carteira, reduzindo a parcela de ganho para o investidor. Fundos cambiais e dólar Para o estrategista do Deutsche Bank, José Cunha, o dólar não deve apresentar um movimento de alta contínua em 2002, mas as oscilações serão inevitáveis. "Esta tendência será provocada principalmente pelas incertezas em relação aos resultados das eleições presidenciais", afirma. Com a perspectiva de oscilações nas taxas de câmbio, investidores que têm dívidas em dólares ou pretendem viajar ao exterior devem procurar proteção em aplicações atreladas à variação da moeda norte-americana, como os fundos cambiais. Mas, para quem busca apenas a rentabilidade, Cunha destaca que a aplicação é extremamente arriscada. "Acredito que a oscilação no mercado cambial deve ser maior do que as oscilações no mercado acionário. Neste caso, o risco também é maior", afirma. Bolsa de Valores de São Paulo O diretor da BNL Asset Management, Cláudio Lellis, concorda com a avaliação de que o ritmo da atividade econômica norte-americana e as eleições presidenciais terão influência sobre os investimentos, principalmente para o dólar e as ações, aplicações em que a oscilação deve ser maior. Lellis acredita que a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) deve apresentar um ganho de 25% a 30% em 2002. "Mas, neste período, as oscilações podem ser fortes", avalia. Vale destacar que apenas os recursos que não têm uma data definida para resgate devem ser direcionados para o mercado de ações. Isso porque, mesmo que o preço dos papéis recuem em períodos de instabilidade, o investidor poderá esperar pela recuperação do mercado.

Agencia Estado,

21 Dezembro 2001 | 20h38

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