Analistas fazem alterações de olho em balanços e preços das ações

A semana foi agitada na bolsa de valores, com a divulgação dos balanços de algumas das maiores empresas listadas

Karin Sato, Broadcast

29 Julho 2017 | 05h00

A semana foi agitada na bolsa de valores, com a divulgação dos balanços de algumas das maiores empresas listadas. Nesse contexto, os analistas fizeram alterações atentos aos resultados e à avaliação sobre se as ações estariam caras ou baratas.

A Coinvalores trocou RD (antiga Raia Drogasil) por M. Dias Branco. A aposta é em um balanço positivo da fabricante de alimentos. “A companhia fez uma forte reestruturação no ano passado, melhorando o desempenho”, diz o analista Felipe Silveira.

A gestora Quantitas, por sua vez, substituiu Lojas Americanas por Grendene. O analista Vinicius Piccinini diz que a empresa apresentou bons resultados nesta semana, conseguindo elevar a receita, ainda que diante do mercado interno difícil. “Mesmo que o câmbio não esteja tão favorável quanto em 2016, a empresa ainda apresenta uma rentabilidade atrativa e conta com preço bom”, afirma

A XP Investimentos trocou Ambev por Pão de Açúcar. “As ações (da fabricante de bebidas) apresentaram bom desempenho recente. Assim, optamos por realizar lucro”, diz a analista Bruna Pezzin. Quanto à rede de supermercados, a equipe de análise aposta que, mesmo após reportar números fortes no segundo trimestre, ainda é possível que o mercado revise positivamente as projeções para a empresa relativas aos próximos trimestres, o que deve levar à valorização do papel.

Pão de Açúcar, contudo, saiu da carteira da Lerosa para a entrada de Klabin. O analista Vitor Suzaki acredita que o papel da varejista subiu muito e agora tem potencial de valorização limitado. Já a empresa de papel e celulose tem se mostrado bem gerida, apesar do ainda elevado índice de alavancagem. “Dois pontos importantes para a empresa são a resiliência dos negócios e a diversificação, implicando possibilidade de expansão em um cenário de crescimento da economia nacional e menor pressão advinda de eventos externos”, cita.

O evento que marcou a semana dos investidores foi a sinalização do Copom de uma nova redução de 1 ponto porcentual da Selic em setembro, o que tende a beneficiar a bolsa, já que os investimentos em renda fixa ficam menos atraentes. O discurso fortaleceu a percepção de que o juro pode ficar abaixo de 8% no fim do ano. Ricardo Peretti, estrategista de renda variável para pessoa física da corretora Santander, lembra que há ainda o impacto positivo sobre os balanços. “Muitas companhias têm dívidas atreladas à Selic. Com isso, a queda do juro deve aumentar os lucros, porque há necessariamente um declínio da despesa financeira.”

Neste contexto, há dois papéis que a equipe do Santander acredita que valem a pena. Um é a Rumo, braço de logística da Cosan. Peretti diz que, a cada 100 pontos-base de corte na Selic, o impacto positivo na despesa financeira da empresa é de R$ 100 milhões. O outro é o da operadora de shoppings Iguatemi, que tem dívida atrelada à Selic. Nos cálculos do Santander, o lucro caixa ajustado para o companhia subiria 4% a cada 100 pontos-base de queda no juro.

Para a XP, algumas empresas que podem se beneficiar de forma imediata de uma Selic ainda menor são as de concessões rodoviárias CCR e EcoRodovias e a de shoppings BRMalls. A Coinvalores destacou ainda as incorporadoras, empresas de shoppings e de propriedades, como São Carlos e BrProperties, e de varejo, já que juros mais baixos têm impacto no consumo.

 

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.