Infográfico Estadão
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Analistas indicam distância de ações ligadas a notícias de corrupção

Decifrar os rumos da economia segue difícil, de forma que os analistas optaram por fazer algumas alterações táticas em suas carteiras

Karin Sato, O Estado de S.Paulo

17 Junho 2017 | 05h00

Decifrar o que será da política e, consequentemente, dos rumos da economia, segue difícil, de forma que os analistas optaram por fazer algumas alterações táticas em suas carteiras. Eles também disseram que continuam recomendando aos investidores distância de ações de empresas envolvidas no noticiário de corrupção.

A Coinvalores optou por trocar a elétrica Alupar pela fabricante de componentes automotivos Iochpe Maxion. A empresa é beneficiada pela recuperação no setor automotivo brasileiro, bem como pela recente desvalorização do real em relação ao dólar, dizem os analistas da corretora.

Já a Magliano substituiu Itaú Unibanco por Vale. Os analistas observaram movimento de aversão a risco entre investidores em relação ao setor bancário, devido ao temor de envolvimento das instituições com futuros desdobramentos da Lava Jato.

A Guide trocou a empresa de shoppings Iguatemi, que neste ano acumula alta de 24%, pela companhia de laboratórios Hermes Pardini. Segundo os analistas da casa, além de o setor de saúde ser mais resistente em períodos macroeconômicos desfavoráveis, eles continuam otimistas com o potencial de crescimento do mercado de diagnósticos, sustentado pela tendência de envelhecimento da população; pelo aumento dos planos de saúde privados; e pela introdução de novas tecnologias no segmento.

Em seu relatório semanal, a Guide fez um estudo de cenários para o mercado financeiro. No cenário central, com probabilidade de 50% de acontecer, dúvidas sobre o futuro do presidente Michel Temer permanecem um pouco mais de tempo; a equipe econômica é mantida, mas com certa limitação para levar as reformas adiante e a reforma trabalhista pode caminhar nas comissões e no Senado. Já a reforma da Previdência é muito menos provável, embora não possa ser descartada no médio prazo. A percepção de risco do mercado é moderada, com menor pressão de depreciação cambial e perspectiva para a bolsa menos deteriorada no médio prazo.

No quadro pessimista, com probabilidade de 20%, dúvidas sobre o futuro de Temer duram mais tempo, a equipe econômica sofre algum revés, sem capacidade de manter uma agenda reformista, o presidente continua fragilizado ou ocorre uma transição via eleições indiretas. Há ainda a possibilidade de eleições diretas, saída mais demorada e custosa, gerando mais dúvidas sobre a economia.

A Guide lembra que, após o que foi chamado no relatório de “choque JBS”, em referência aos acordos de delação, o Ibovespa tem oscilado entre 61 e 64 mil pontos.

Os analistas responderam a seguinte pergunta da coluna, nesta semana: “Você recomendaria ações de empresas que aparecem no noticiário sobre corrupção?” Vitor Suzaki, da Lerosa Investimentos, respondeu que não. “O investimento nestas empresas pode eventualmente trazer retorno de curto prazo, porém para aqueles que procuram análise fundamentalista e têm visão de longo prazo, não é recomendado assumir esse risco, pelo simples fato de não ser possível extrair o valor atual e mensurar o valor futuro”, diz Suzaki.

Analistas da Magliano também responderam que não. “Nossa carteira possui uma visão de longo prazo. Nós nos baseamos na saúde financeira das empresas, além de acompanharmos de perto a evolução dos balanços apresentados”, afirma a equipe de análise.

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