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Economia

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Analistas que mais acertam projeções veem inflação acima do teto da meta em 2016 e 2017

Após BC manter o juro, economistas do chamado Top 5 passam a prever uma alta de preços superior a 7% nesse e no próximo ano

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Célia Froufe,
O Estado de S. Paulo

25 Janeiro 2016 | 09h09

BRASÍLIA - Depois de uma semana intensa para a política monetária, o Relatório de Mercado Focus, divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central (BC), revelou que o grupo dos analistas que mais acertam as projeções para a inflação (o chamado Top 5) elevou a mediana para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2017 de 5,50% para 7,19%. 

O novo patamar está muito acima do teto da meta para o ano que vem, de 6%. A promessa do BC de levar a inflação para o centro da meta (4,5%) nesta data parece, portanto, cada vez mais distante.

Essa elite prevê também que o IPCA de 2016 ficará em 7,92%, ante taxa prevista anteriormente de 7,54% e de 7,39% verificada quatro semanas atrás. Todos os números já estão acima do teto da meta para o período, de 6,50%. 

Já a mediana das projeções dos analistas prevê inflação de 7,23% em 2016, ante 7% uma semana antes, e de 5,65%, ante 5,40% anteriormente, em 2017 

Dois motivos levaram a essas drásticas alterações das previsões por parte dos analistas. O primeiro foi o comentário surpresa do presidente do BC, Alexandre Tombini, sobre as novas estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deste e do próximo ano. 

Na sequência, o Comitê de Política Monetária (Copom) do  BC manteve os juros básicos da economia em 14,25% ao ano. Até o comentário de Tombini, a expectativa majoritária do mercado financeiro era de alta de 0,50 ponto porcentual da Selic.

Essa reviravolta da semana passada também fez os analistas mudarem completamente os cenários para o rumo dos juros. A mediana das previsões para a Selic no fim de 2016 caiu de 15,25% ao ano - previsão que já constava também há um mês - para 14,64%.

Esse patamar revela que há no mercado quem acredite numa taxa ainda mais baixa, já que se trata de uma divisão das estimativas de 14,50% e de 14,75%. Já no caso de 2017, a mediana das previsões caiu de 12,88% ao ano para 12,75%.

PIB e dólar. As projeções para o PIB deste ano, por sua vez, seguem no terreno negativo, enquanto as para 2017 mostram uma expectativa de recuperação cada vez menor. A mediana das estimativas foi ajustada de -2,99% para -3,00% para 2016 - há quatro semanas, a aposta era de uma queda menor, de 2,81%. Pouco mais de um ano atrás, na primeira Focus de 2015, os especialistas consultados pelo BC acreditavam que haveria crescimento este ano, de 1,80%.

Já para 2017, a expectativa é mais otimista, de expansão de 0,80%. Vale lembrar, no entanto, que uma semana antes, a mediana estava em alta de 1,00%, o mesmo patamar visto um mês atrás. 

Para o câmbio, após aumentar quase 50% no ano passado e encerrar levemente abaixo de R$ 4,00, a perspectiva do mercado financeiro este ano avançou de R$ 4,25 no boletim Focus de uma semana para R$ 4,30 agora. Quatro edições atrás do documento, a mediana das previsões apontava para cotação de R$ 4,20.

Para o ano que vem, a mediana das estimativas aponta para uma cotação de R$ 4,40, maior do que a de R$ 4,30, vista na semana passada - um mês antes, estava em R$ 4,20.

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