Analistas têm visão positiva para setor de papel e celulose

Considerando que Suzano acumula alta de quase 50% neste ano e Fibria, de quase 70%, será que ainda vale a pena investir nesses papéis?

Karin Sato, O Estado de S.Paulo

28 Outubro 2017 | 05h00

As ações do setor de papel e celulose têm causado dúvidas entre os investidores. Considerando que Suzano acumula alta de quase 50% neste ano e Fibria, de quase 70%, será que ainda vale a pena investir nesses papéis? A mesma indagação é feita em relação à Vale. A ação ordinária da mineradora acumula ganho de mais de 30% em 2017.

Os analistas participantes da coluna acreditam que, no curto prazo, o setor de papel e celulose ainda é uma boa pedida. Até o fim do ano, é possível que o desempenho continue a surpreender positivamente.

“Nossa visão é positiva para o curto prazo, principalmente por conta das recentes elevações no preço da celulose. Já para o médio e longo prazo, a entrada em operação de plantas importantes no exterior pode pressionar um pouco a commodity. Temos uma visão mais positiva para a Klabin, nesse panorama mais longo, pela exposição ao mercado doméstico, que já começa a mostrar recuperação”, diz o time da Coinvalores.

A equipe do Santander, por sua vez, acredita que o bom momento operacional apresentado pelas fabricantes de papel e celulose no terceiro trimestre deve se repetir nos últimos três meses do ano. Para os profissionais da casa, tudo indica que a celulose manterá sua trajetória de alta no curto prazo - a celulose já se valorizou 36% neste ano na China, enquanto a negociada na Europa teve alta de 41%.

O analista chefe da Magliano, Pedro Galdi, recomenda aos investidores a manutenção dessas ações daqui para o final do ano, porém lembra que, no início de 2018, o cenário deve ser reavaliado.

Quanto à Vale, Galdi diz que está otimista. O preço do minério de ferro segue na faixa de US$ 55/65 por tonelada no quarto trimestre, o que é “muito bom” para a mineradora. “A demanda segue positiva com China, com procura cada vez maior de produtos de menor impacto ambiental e que traz de brinde um prêmio em relação aos preços de minério de teor de ferro 62%. O minério de ferro com teor mais rico gera preços diferenciados e ajudam muito na melhora de resultados”, avalia.

A Coinvalores, por outro lado, tem visão positiva para a companhia apenas no médio e longo prazo, graças à perspectiva de ganho de rentabilidade da mineradora e de redução de endividamento. Mas, no curto prazo, os analistas acreditam que a ação Vale pode ficar pressionada, em função da trajetória de queda do minério de ferro.

Já os analistas do Santander disseram que enxergam como positiva a busca da Vale pela melhora da governança corporativa e pela redução da alavancagem financeira, porém o preço do minério de ferro faz com que seja difícil um consenso com relação a esse investimento.

Sobre as mudanças nas carteiras, a Coinvalores trocou Vale por Petrobrás, com a expectativa de que a petroleira entregue um balanço sólido do terceiro trimestre deste ano, com melhora da alavancagem. Já a Magliano montou um portfólio com dois bancos: Itaú Unibanco e Bradesco. Galdi diz que as instituições devem apresentar bons resultados do terceiro trimestre, diante dos sinais de retomada gradual da economia.

A Planner também fez algumas alterações, entre as quais a inclusão de Grendene, que apresentou mais um bom resultado e, conforme destacou a equipe de análise, mantém sólida situação financeira.

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