Analistas veem Carrefour ‘caro’ e preferem Pão de Açúcar

As atenções dos investidores na semana que passou se voltou para o IPO do Carrefour Brasil, que acabou sendo a maior abertura de capital na bolsa de valores brasileira desde 2013

Karin Sato, Broadcast

22 Julho 2017 | 05h00

As atenções dos investidores na semana que passou se voltaram para a oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) do Carrefour Brasil, que acabou sendo a maior abertura de capital na bolsa de valores brasileira desde 2013, movimentando R$ 5,1 bilhões. Muitos gestores de fundos com os quais o Broadcast, plataforma de notícias em tempo real da Agência Estado, conversou já vinham então se indagando: é melhor apostar no Pão de Açúcar, um velho conhecido dos investidores, ou na estreante?

Analistas tentaram tirar essa dúvida. No geral, por uma questão principalmente de preço, a preferência é por Pão de Açúcar. A equipe de análise da Planner diz que, no curto prazo, esta seria a melhor aposta. O analista da casa, Mário Roberto Mariante, afirma que os perfis de Pão de Açúcar e Carrefour não são muito diferentes, porque são duas redes grandes, com presença nos principais mercados e potencial de expansão.

“Até mesmo a estratégia de crescimento tem sido um pouco parecida”, justifica Mariante. “O Grupo Pão de Açúcar vem investindo na expansão do Assaí, que concorre com o Atacadão. A rentabilidade final do setor é normalmente reduzida e se aplica também aos dois grupos. Além disso, o endividamento é relevante nos dois”, diz.

A escolha por Pão de Açúcar no curto prazo se deve ao simples fato de a rede já ter divulgado seus números operacionais do segundo trimestre deste ano, que vieram bons. O Carrefour, porém, ainda não abriu os seus.

Vitor Suzaki, analista da Lerosa Investimentos, também tem preferência por Pão de Açúcar. Em sua avaliação, o preço da ação do Carrefour se mostrou “um pouco exagerado”. “Considerando o desempenho no atacarejo, um segmento com menor margem, e as perspectivas não tão positivas para o multimercado, a preferência se dá pelo Pão de Açúcar, que conta com modelos diferenciados para vendas (hiper, super e minimercados)”, explica Suzaki.

O time de análise da Magliano também indicou Pão de Açúcar, apesar de, em termos operacionais, o Carrefour contar com histórico mais favorável, em sua avaliação. O diferencial é o preço. “As ações do Carrefour passaram a ser negociadas em mercado a um múltiplo preço/valor patrimonial por ação de 3,5 vezes, enquanto as do Pão de Açúcar estão sendo negociadas a 1,8 vez”, disseram os analistas da corretora. Esse múltiplo é um dos indicadores de análise fundamentalista que auxilia na interpretação se uma ação estaria cara ou barata. Quanto maior, mais cara estaria a empresa. Mas o ideal é levar em conta também outros indicadores.

Falando sobre as carteiras, poucos analistas promoveram mudanças. O time da Magliano optou pela realização de lucros no caso de EDP Energias do Brasil, que foi substituída por Natura. O papel da fabricante de cosméticos recuou muito recentemente, após a compra da britânica The Body Shop. “Acreditamos que há uma alta probabilidade de os papéis corrigirem essa queda no curto prazo.”

A Guide trocou MRV e Iochpe-Maxion por Localiza, cujo balanço do segundo trimestre agradou, levando o papel a registrar a maior alta do Ibovespa no último pregão, de 4,44%, e Rumo. “Adicionamos a Rumo com a expectativa positiva para o resultado do segundo trimestre; além da aposta de que ela deve se beneficiar do aumento do volume recordes de safra.”

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