Anfavea alerta que alta do petróleo encarece matéria-prima da indústria

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Rogelio Golfarb, afirmou hoje que a alta do petróleo irá pressionar os preços das resinas plásticas nos próximos meses. As resinas e o aço são os principais insumos da indústria automobilística, respondendo por uma parcela expressiva dos custos das montadoras. O encarecimento das matérias-primas, aliado à valorização do câmbio (que reduz a receita com exportações) e às altas taxas de juros (que inibem o consumo interno) vêm deixando as margens de lucro das montadoras cada vez mais estreitas. "Se o câmbio continuar assim e o mercado interno não evoluir, teremos dificuldades para cumprir nossos compromissos", afirmou Golfarb. O executivo acredita que o País está deixando de receber investimentos externos nas montadoras por conta do desaquecimento das vendas locais. "O mercado interno é como uma âncora para os investimentos. Acontece que ele tem crescido muito aquém do esperado. Hoje temos algumas ferramentas para compensar isso, como são as exportações", destacou, em entrevista coletiva. "O fato é que estamos perdendo a briga por investimentos." Isenção de taxas Golfarb defendeu a manutenção da isenção de taxas à importação de aço. Ele lembrou que algumas montadoras já aproveitaram esta vantagem para trazer o insumo do exterior com preços mais competitivos do que os praticados pelas siderúrgicas brasileiras. Ele lembrou que o insumo tem peso significativo nos custos das montadoras. Segundo ele, a valorização do real ante o dólar e as altas taxas de juros têm dificultado o repasse integral dos custos para o preço do produto final. Mesmo assim, o presidente da Anfavea mostrou-se satisfeito com o desempenho do setor. Neste ano, acredita que em 2006 a indústria terá performance semelhante. A Anfavea ainda não divulgou projeções para o próximo ano, mas Golfarb aposta numa queda gradual dos juros e pequena desvalorização do real para que o setor automotivo repita o comportamento de 2005.

Agencia Estado,

06 Setembro 2005 | 15h26

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