GABRIELA BILÓ/ESTADÃO
GABRIELA BILÓ/ESTADÃO

Apetite ao risco faz Bolsa de São Paulo renovar recorde pela 5ª vez

Valorização foi amparada pela forte subida de ações da Petrobras e Vale; Ibovespa teve alta de 0,41%, aos 87.652,63 pontos

Simone Cavalcanti, O Estado de S.Paulo

26 Fevereiro 2018 | 19h09

A valorização das commodities e a continuidade das perspectivas positivas para a economia doméstica, principalmente com a menor taxa de juros da história, pesaram positivamente sobre o desempenho da Bolsa na sessão de negócios de hoje. O Ibovespa fechou em alta pelo 9º pregão consecutivo, aos 87.652,63 pontos (+0,41%), sendo o 5º recorde histórico. 

A subida foi amparada em boa parte do dia pela forte valorização de ações de empresas, como a Petrobras e Vale, que seguiram o petróleo e o minério de ferro no exterior. Após a abertura dos mercados acionários em Nova York, o Ibovespa tocou pela primeira vez os 88 mil pontos, para depois arrefecer o movimento. 

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Só não manteve a aceleração, até acompanhando a força dos seus pares em Wall Street, em parte, por causa de notícias corporativas negativas, como no caso da CCR, avalia Marco Tulli Siqueira, gestor de renda variável da Coinvalores. 

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"Nós descolamos muito de NY", disse Fabricio Estagliano, analista-chefe da Walpires Corretora. "Creio que haverá uma correção por aqui e, daqui a pouco, colar de novo com os pares de lá, apesar de questões políticas com fatores que podem gerar alguma volatilidade."

Também contribuiu para limitar a alta do Ibovespa, a correção para baixo das ações de Itaú Unibanco PN (-0,11%) e Bradesco PN (0,00%) na contramão de Banco do Brasil ON (+1,46%) e as Units do Santander (+0,47%). De acordo com um operador, descoladas da trajetória do exterior, essas duas instituições tiveram um dia de correção de suas ações, uma vez que já acumulam ganhos de perto de 30% e de 20%, respectivamente, apenas em 2018.

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O índice da Bolsa brasileira hoje teve ganhos limitados também pela espera da fala do novo presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell. "Com certeza é um evento que pode trazer reações amanhã, uma vez que o mercado estará muito atento para sentir se ele [Powell] é mais dovish ou hawkish", disse Ferman. "O entendimento do mercado é que o aperto monetário será muito gradual e, quanto mais demorar, mais a Bolsa sobe por aqui", completou Estagliano.

Hoje o giro financeiro na sessão de negócios de hoje foi de R$ 11,8 bilhões, reforçando o fluxo de entrada para renda variável de investidores tanto estrangeiros como domésticos que vem desde o início deste ano. Marco Tulli Siqueira, gestor de renda variável da Coinvalores, observa que os investidores institucionais brasileiros estão indo buscar maior rentabilidade na Bolsa. "Até por obrigação, pois para bater a meta atuarial com a taxa de juros de 6,5%, precisa olhar para renda variável", disse. 

Segundo a B3, os investidores estrangeiros ingressaram com R$ 114,484 milhões no pregão da última quinta-feira (22). Com o resultado, em fevereiro o fluxo estrangeiro segue negativo em R$ 3,264 bilhões. Em 2018, o saldo está positivo em R$ 6,285 bilhões.

Dólar.O dólar teve hoje a sua terceira baixa consecutiva, favorecida pelo ambiente de apetite por risco no exterior, em combinação com um cenário interno marcado por indicadores econômicos positivos. Com inflação em baixa, arrecadação em alta e firme ingresso de recursos externos, o rebaixamento do rating promovido na última sexta-feira se diluiu quase por completo. Assim, o dólar à vista terminou o dia em baixa de 0,44%, cotado a R$ 3,2262. 

Para Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora, o investidor está deixando de lado outras questões para apostar numa recuperação sustentada da economia brasileira. "O mercado até que está digerindo bem a não aprovação da reforma da Previdência e o rebaixamento do rating, que deve ainda ser acompanhado pela Moody's", disse o profissional, ressaltando que a divisa vem se mantendo num intervalo bem definido, com a cotação se aproximando dos R$ 3,30 nos momentos de maior estresse e dos R$ 3,20 nos momentos de maior tranquilidade", disse.

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