Nacho Doce/Reuters
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Após reversão de demissões e adesão ao PPE, acaba greve na Ford em São Bernardo

Em janeiro, jornada de trabalho dos metalúrgicos será reduzida em 20%; montadora prevê revogação da demissão dos cerca de 200 trabalhadores ainda este mês

Igor Gadelha, Agência Estado

18 Setembro 2015 | 11h02

Atualizado às 17h57

Oito dias após a deflagração da greve, operários da Ford em São Bernardo do Campo (SP) aprovaram o fim da paralisação durante assembleia na manhã desta sexta-feira (18), na porta da fábrica. De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, os funcionários já voltaram ao trabalho, depois de aceitarem acordo fechado entre a entidade e a montadora revogando a demissão dos 203 trabalhadores, prevista até então para 21 de setembro, e a adesão ao Programa de Proteção ao Emprego (PPE), do governo federal.

O PPE começará a partir de janeiro de 2016, quando a Ford prevê reduzir o ritmo de produção em São Bernardo, e deve durar seis meses - prazo que poderá ser dobrado, caso necessário. Pelo acordo, a jornada de trabalho será reduzida em 20% na fábrica, com igual redução proporcional do salário pago pela montadora. Para os trabalhadores, contudo, a redução será de apenas 10%. A outra metade será bancada pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), com limite de até R$ 900,84. O montante que superar esse valor será complementado pela empresa.

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, a redução salarial não vai incidir sobre as férias; apenas sobre o 13º salário. Pelo acordo, trabalhadores também conseguiram a ampliação da estabilidade do emprego até agosto de 2017. Até então, o compromisso da empresa era de não poder demitir sumariamente, sem justa causa, até abril de 2017. Na negociação, também ficou acertada a abertura, entre os próximos dias 24 de setembro e 9 de outubro, de um novo Programa de Demissão Voluntária (PDV) para empregados horistas da fábrica.

A adesão ao PPE na Ford valerá para todos os empregados da fábrica e para os escritórios regionais de vendas. O acordo também prevê a prorrogação do lay-off (suspensão temporária dos contratos) de cerca de 100 trabalhadores que já estavam suspensos desde maio e a inclusão de mais 150 metalúrgicos, que terão os contratos suspensos a partir de janeiro de 2016, quando começa o PPE. Assegurados por acordo coletivo assinado em março, o valor da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), o reajuste pelo INPC e o abono salarial continuam garantidos.

Com o PPE, a Ford será a quarta grande montadora à aderir ao plano no Brasil. Na quinta-feira, a Volkswagen confirmou a adesão ao programa na fábrica de São Bernardo do Campo, também com redução de 20% da jornada, que não incidirá sobre férias nem 13º salário. Já tinham aderido ao PPE a Mercedes-Benz em São Bernardo e a fabricante de máquinas agrícolas Cartepillar, em Piracicaba (SP). Fabricante de caminhões e ônibus da Volkswagen, a MAN Latin America também estuda aderir ao plano a partir de janeiro. 

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