André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Após ameaça de rebaixamento pela S&P, Ilan volta a defender a reforma da Previdência

Em evento em São Paulo, o presidente do BC afirmou que a medida ainda é um dos pontos a serem resolvidos na agenda econômica do governo

Altamiro Silva Junior e Thais Barcellos, Broadcast

16 Outubro 2017 | 11h28

Quatro dias depois da ameaça de rebaixamento do Brasil pela Standard & Poor's caso a reforma da Previdência seja adiada, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, voltou a bater na tecla da importância da medida.

Em evento em São Paulo, nesta segunda-feira, 16, ele destacou que, no âmbito das medidas fiscais, a reforma é ainda um dos pontos da agenda econômica onde se pode discutir se o governo já havia feito de tudo.

Ilan foi convidado da Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio, Indústria e Agricultura (Italcam) para café da manhã em São Paulo. Ele destacou que o principal risco no cenário atualmente é a mudança do ambiente internacional, que, hoje, se mostra benigno à economia brasileira e de emergentes.

O tema da reforma surgiu após ser questionado por um dos empresários italianos sobre a situação fiscal do Brasil. Ilan afirmou que é importante aprovar a reforma da Previdência. Ele também disse que, na política fiscal, há uma parte conjuntural, que, na medida em que a economia mostrar retomada, vai se recuperar também.

Nesse sentido, o presidente do BC ressaltou a importância da aprovação da PEC do Teto. "Mesmo que as receitas se recuperem, vamos olhar para as despesas", disse, frisando que é preciso observar porque as despesas obrigatórias seguem crescendo.

O presidente do BC voltou a mencionar, durante as perguntas dos convidados, que o spread bancário já começou a cair, ainda que lentamente, e disse que essa trajetória deve continuar se o cenário de estabilidade econômica for mantido.

Ilan também afirmou que está em curso uma série de reformas dentro da Agenda BC+ que ajudarão o recuo adicional do spread bancário.

 O presidente do Banco Central também foi questionado sobre o suposto descolamento atual entre economia e política e de como as eleições de 2018 podem influenciar este ambiente.

"Não vou traçar cenário político", disse ele, ressaltando que existem pessoas mais qualificadas para tratar do tema. "Nosso objetivo é ter a percepção e o trabalho mais técnico possível." Como presidente do BC, ressaltou Ilan, é essencial passar para a sociedade uma visão "completamente técnica e independente".

Em seguida, Ilan falou da independência do BC. O presidente respondeu que hoje há, de fato, uma autonomia da instituição em Brasília, que também é percebida pelos agentes econômicos e do mercado financeiro. Ao mesmo tempo, esta percepção de maior autonomia do BC acaba contribuindo para reduzir o debate sobre a independência da autoridade monetária.

Além desta percepção de autonomia, Ilan ressaltou que outro fator que contribui para tirar o assunto sobre a independência do BC da pauta neste momento é que há reformas mais urgentes, como a da Previdência, que precisam ser aprovadas.

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