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Após cobrar almoço de empresários, Mantega oferece van para agência S&P

Mauro Zanatta - Agência Estado

13 Março 2014 | 12h 46

Equipe da Standard & Poor's está em missão no Brasil para fazer um pente-fino nas contas públicas e conversar com agentes de mercado 

BRASÍLIA - Um dia após cobrar R$ 40 de 18 empresários para almoçar com o ministro Guido Mantega e seus secretários, o Ministério da Fazenda cedeu nesta quinta-feira, 13, um veículo oficial de sua frota para transportar a diretora para ratings soberanos da América Latina da Standard & Poor's, Lisa Schineller, e uma equipe de seis pessoas no trajeto de cerca de 4 km entre o Banco Central e sua sede.

Os táxis disponíveis em frente ao prédio do BC cobram R$ 20 para realizar o curto trajeto. Como seriam necessários dois veículos para transportar a equipe da agência estrangeira, a empresa acabou poupando o dobro desse valor ao usar a carona oficial. O Estado não conseguiu obter informações sobre qual o modelo exato de veículo foi usado pela equipe para percorrer a distância entre o hotel e a sede do Banco Central.

Antes de entrar na van do Ministério da Fazenda, a diretora da empresa se recusou a fazer declarações sobre o encontro. "Sem comentários", repetiu por três vezes ao ser questionada por um grupo de jornalistas na portaria principal do BC, após reunião com o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, e outros sete diretores.

Uma força tarefa da S&P está no Brasil desde segunda-feira para passar um pente-fino nas contas públicas e conversar com agentes do mercado, investidores e autoridades do governo. A missão, que começou o périplo por São Paulo, esteve reunida por quase duas horas com a diretoria do Banco Central nesta manhã. A equipe da S&P também participou de um encontro como ministro Mantega e parte de seus secretários. Os especialistas da agência devem passar pelo Rio de Janeiro antes de voltar a Nova York na próxima semana.

Entenda. O Brasil recebeu da S&P a classificação de grau de investimento em abril de 2008, com avaliação BB+, que mantém até hoje. Um mês depois, a Fitch também situou o país no segmento máximo de avaliação e, um ano e meio mais tarde, foi a vez da Moody's. A visita técnica da agência agora é vista com alguma apreensão pelo governo, que espera manter o grau de investimento.

Em janeiro, em entrevista ao Broadcast, o diretor responsável por Ratings Soberanos da S&P, Joydeep Mukherji, disse que, apesar de ainda não haver uma definição em relação ao País, a agência poderia rebaixar este ano o rating soberano em um nível, o que, mesmo assim, não significaria a perda do grau de investimento. Em junho do ano passado a agência colocou o Brasil sob perspectiva negativa.

Em pauta, a missão técnica da agência tem a incumbência de avaliar principalmente as tendências da política fiscal e monetária e outras variáveis macroeconômicas. A inclusão de ministérios fora da área econômica podem indicar preocupação também em relação a questões de infraestrutura.

Alguns interlocutores que já estiveram com Lisa e sua equipe disseram ao Broadcast que eles estavam mais preocupados em ouvir as avaliações sobre o cenário atual do que em tecer qualquer comentário que pudesse deixar pistas sobre a decisão da agência, que só deve ser conhecida em, mais ou menos, um mês. (Com informações de Irany Tereza, da Agência Estado)