Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

'Crescimento não é uma linha reta', diz Meirelles sobre PIB

Após comemorar alta no faturamento do 1º trimestre, ministro da Fazenda não descarta possível fraqueza no próximo resultado

Fernando Nakagawa, Francisco Carlos de Assis e Thaís Barcellos, O Estado de S.Paulo

01 Junho 2017 | 14h55

BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, comemorou o fim da recessão, mas não descarta a possibilidade de que a economia volte a mostrar alguma fraqueza no segundo trimestre. Meirelles reafirmou a previsão de que a economia brasileira crescerá 0,5% no ano de 2017 e terminará o quarto trimestre com ritmo de expansão de 2,7% na comparação ante igual período de 2016. 

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 1,0% no primeiro trimestre deste ano em relação ao quarto trimestre de 2016 e interrompe um ciclo de oito quedas trimestrais consecutivas, segundo o IBGE. 

"Sim, a recessão acabou. Não há duvida", disse. O ministro da Fazenda notou, porém, que quando um país "retoma o crescimento não é uma linha reta". Meirelles explicou que em momentos de volta ao crescimento ou início de recessão é comum que trimestres seguidos mostrem comportamento não linear. Ou seja, há comportamento com uma tendência em um trimestre e outro movimento no período seguinte. "Ele (o PIB) sobe muito, depois dá uma ajustada, uma acomodada para depois voltar a subir". 

ENTENDA: O que é o PIB e como ele é calculado?

Para o economista-chefe e estrategista da Azimut Brasil Wealth Management, Paulo Gomes, a alta do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre é um resultado positivo, pois tira o País da recessão técnica, mas ainda não dá para ser comemorado, já que o crescimento não é disseminado pelos setores econômicos, além de o avanço acontecer sobre uma base muito baixa, após oito trimestres de retração. 

"Não dá para comemorar, até porque ainda temos 14 milhões de desempregados e o PIB ainda caiu 0,4% ante o mesmo período do ano passado. Mas dá algum alívio. Com a queda dos juros, o País deve crescer, mas vamos levar muito tempo para recuperar o nível anterior à crise. Ainda estamos no buraco, embora tenhamos deixado de cair", diz Gomes.

Segundo ele, o alívio com a alta do PIB na margem pode, contudo, não durar muito tempo, principalmente devido às incertezas políticas atuais. No segundo trimestre, um recuo frente ao período de janeiro a março tem 60% de probabilidade de acontecer, conforme Gomes, em função do menor efeito do PIB agropecuário, que foi o grande destaque desta leitura, com crescimento de 13,4%. "Mas acho que é cedo para dizer que vamos voltar à recessão no segundo semestre [trimestres seguidos de recuo no PIB], vai depender muito dos fatores políticos. A tendência é que a própria alta observada agora dê mais confiança que evite a retração no 3º trimestre", explica.

Para o economista da Canepa Asset Management, Carlos Macedo, o segundo trimestre, apesar de não ter ainda tido tempo de refazer o os cálculos para ter um número exato, também espera um dado fraco. A explicação, de acordo com Macedo é o maior grau de incerteza política que se instalou no País em decorrência da gravação feita delação da JBS. Para ele, o PIB do segundo trimestre vai refletir a crise que levou ao arrefecimento ainda maior da economia no mês de maio.

O economista Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central, avalia que os dados do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre vieram, no geral, bons, mas a crise política pode atrapalhar o cenário de recuperação da economia. Se o imbróglio em Brasília se prolongar, a expansão do PIB pode ficar perto de zero em 2017.

Schwartsman ressalta que sem a enorme contribuição do agronegócio, o crescimento não teria sido o divulgado hoje, de 1% na comparação com o quarto trimestre de 2016. "No geral, o PIB veio bom", disse a jornalistas, destacando que ainda faltam sinais de recuperação na demanda doméstica. Uma recuperação mais persistente vai depender da capacidade de reação desta demanda, ressaltou ele.

Meirelles reafirmou, porém, que a expectativa é de crescimento para o conjunto do ano. "O que nós esperamos é que, durante o decorrer do ano, continue a crescer e chegaremos ao final do ano com ritmo de crescimento sólido de cerca de 3% ao ano", disse. 

Durante a entrevista antes de almoço da Associação Nacional de Jornais (ANJ), o ministro reafirmou a previsão de crescimento de 0,5% no ano e expansão 2,7% no último trimestre do ano na comparação ante igual período de 2016. 

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