REUTERS/Guadalupe Pardo
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Após dois anos, Odebrecht prepara novo projeto imobiliário

Grupo loteou terreno da família no litoral norte da Bahia e espera levantar R$ 100 mi com foco no consumidor de alta renda

Ana Carolina Neira, O Estado de S.Paulo

05 Julho 2017 | 05h00

Após dois anos, a família Odebrecht volta a investir no mercado imobiliário. Por meio de seu braço de incorporações, o grupo vai começar a vender em agosto um produto para o litoral norte da Bahia, com investimento de R$ 30 milhões e valor geral de vendas (VGV) estimado em R$ 100 milhões.

O projeto, batizado de Reserva Sauípe, marca um modesto retorno da companhia a um segmento que ainda sofre os impactos da crise econômica. 

Desta vez, a empresa se concentrará na comercialização e construção da infraestrutura do empreendimento e das áreas comuns dos 262 lotes de um terreno que, segundo Jayme Fonseca, diretor financeiro da Odebrecht Realizações Imobiliárias, está com a família de Emílio e Marcelo Odebrecht há 40 anos. "Isso torna o projeto muito interessante pela relação custo-benefício. Faremos um investimento relativamente baixo", explica o executivo.

Esse é o primeiro projeto da construtora na área de loteamentos e segue o conceito de segunda residência de alto padrão. Fonseca acredita que até o lançamento, pelo menos 80% das unidades - que variam de 450 a 960 metros quadrados - estarão vendidas. O restante, ele projeta, deve ser comercializado até o final deste ano.

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O Reserva Sauípe é a continuidade do desenvolvimento do Destino Sauípe, que já possui dois condomínios. 

De acordo com Fonseca, a decisão de investir em loteamentos é a mais segura para o atual momento econômico, ainda cercado de incertezas. "Não pagar pelo terreno é a parte mais importante do projeto. Desejamos seguir com esse modelo, mas isso também depende do mercado, pois há uma limitação natural de tamanho", aponta.

Uma pesquisa divulgada pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), aponta que o preço dos imóveis residenciais no Brasil recuou 0,26% em maio na comparação com abril. O levantamento apura os dados em nove capitais, a partir do laudo bancário dos imóveis que foram comercializados mediante liberação de financiamento.

"Os dados nos dizem que o mercado imobiliário irá recuperar-se, mas isso também depende do cenário político-econômico daqui até as eleições de 2018", diz o executivo.

Atualmente, a Odebrecht conta com outros sete empreendimentos já aprovados, incluindo apartamentos e salas comerciais, mas aguarda uma recuperação econômica efetiva para dar andamento a eles. "Pode ser que no fim deste ano ou no início do próximo seja possível realizar algum lançamento", indica o executivo. Para ele, a situação será mais positiva em 2019.

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