Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Após estreia na Bolsa, ações do Carrefour fecham em queda

Dólar é negociado a R$ 3,12 no quinto pregão consecutivo de baixa da moeda americana, devolvendo toda a alta acumulada desde o agravamento da crise política em meados de maio

Renato Carvalho, O Estado de S.Paulo

20 Julho 2017 | 17h55

Em sua estreia na B3, a ação ON da rede varejista Carrefour foi uma das mais negociadas, mas fechou em queda. Segundo analistas, há uma expectativa em relação aos resultados da companhia, que serão divulgados no final de agosto, que devem levar a uma nova precificação do ativo, o que teria causado o movimento. Dentro do Ibovespa, a Vale e as siderúrgicas dominaram a lista de principais baixas, seguindo o minério de ferro. A maior alta do índice ficou com Cyrela, reagindo à prévia operacional do segundo trimestre.

O Ibovespa fechou em baixa de 0,37%, aos 64.938,01 pontos. Em julho, o índice acumula alta de 3,24%, e em 2017, avanço de 7,82%. O giro financeiro desta quinta-feira, 20, ficou em R$ 5,84 bilhões, segundo dados preliminares. Enquanto isso, o dólar manteve trajetória de baixa e fechou no patamar de 3,12 reais, devolvendo toda a alta acumulada desde o agravamento da crise política em meados de maio, em meio a perspectivas de ingresso de recursos no Brasil e acompanhando o cenário externo.

A moeda americana recuou 0,71%, a R$ 3,12 na venda, no menor nível desde 16 de maio, quando encerrou a 3,0955 reais. Na noite do dia 17 de maio, a divulgação de áudios gravados por o empresário Joesley Batista, do grupo JBS, atingiu o presidente Michel Temer, levando a moeda norte-americana ao maior nível do ano, a R$ 3,38, em 18 de maio.

Este foi o quinto pregão consecutivo de queda do dólar, período no qual cedeu 2,54%. O dólar futuro tinha baixa de 0,73%.

Entre as movimentações do dia, Carrefour ON cedeu 0,67%. A ação registrou o maior giro financeiro da B3 do dia, com quase R$ 510 milhões, e foi a segunda em número de negócios, atrás apenas de Itaúsa PN. Com o ex-pregão de voz da Bovespa lotado, todas as marcas do Carrefour Brasil foram expostas na decoração e executivos da varejista, assim como os da Península, gestora que reúne os investimentos da família de Abilio Diniz - assim como o próprio empresário - participaram da cerimônia.

A oferta foi precificada no piso da faixa de preço indicativa, e foi primária e secundária. Da parcela que foi ao caixa da empresa, R$ 2,411 bilhões serão destinados ao pagamento de 'mútuos intercompany'. Segundo o prospecto da oferta, esse valor será pago ao Carrefour Finance, com prazos de vencimento entre fevereiro de 2018 e agosto de 2018 e com uma taxa média de juros ponderada Euribor 6 meses mais de 2,41% por ano, calculada nos últimos 12 meses encerrados em 31 de março de 2017. Já R$ 585 milhões serão utilizados para reforçar o caixa da companhia.

++ Ações do Carrefour caem 2% em Paris após abertura de capital no Brasil

Segundo relatório do Société Generale, a ação do Grupo Pão de Açúcar (GPA) deverá passar por uma reprecificação. Isso porque a ação opera com um desconto de 10% em relação a ação do Carrefour Brasil. "Vemos espaço para mudança de patamar também por conta de melhora de lucratividade", destaca o documento. Hoje, Pão de Açúcar PN fechou em alta de 1,76%. (Veja mais em nota publicada às 16h30)

Vale, siderúrgicas e Petrobras. Entre as principais quedas do Ibovespa ficaram Metalúrgica Gerdau PN (-4,48%), Vale ON (-3,95%), Bradespar PN (-3,74%), Vale PNA (-3,71%), CSN ON (-3,69%), Gerdau PN (-1,72%) e Usiminas PNA (-1,60%). Segundo operadores, os papéis foram afetados pela cotação do minério de ferro, que tanto no mercado à vista na China quanto no futuro registrou baixa na casa de 3%.

A produção de minério de ferro da Vale no segundo trimestre do ano somou 91,849 milhões de toneladas, aumento de 5,8% ante o mesmo intervalo do ano anterior, informou mais cedo a companhia. Em relação aos três primeiros meses do ano o crescimento foi de 6,6%. Com esse desempenho, a maior fabricante de minério de ferro do mundo bateu seu recorde de produção para um segundo trimestre. 

Em relatório, o Santander chama atenção para o fato de que nos resultados do segundo trimestre, as siderúrgicas, especialmente a Gerdau, devem apresentar números melhores que a Vale. Segundo os analistas Bruno Giardino e Renato Maruichi, as quedas nos preços dos metais em relação ao primeiro trimestre devem prejudicar o balanço da Vale.

Os papéis da Petrobras fecharam com baixas de 0,98% (PN) e 1,52% (ON), em comportamento muito próximo ao do petróleo. Na Nymex, em Nova York, o barril do WTI para setembro recuou 0,85%, a US$ 46,92. Na ICE, em Londres, o tipo Brent para o mesmo mês caiu 0,80%, a US$ 49,30./COM REUTERS

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