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Após respiro em fevereiro, Brasil perde 63,6 mil vagas de emprego em março

Resultado frustrou expectativas de analistas, que esperavam criação de vagas; nos primeiros três meses do ano, mais de 64 mil postos de trabalho foram fechados

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Fernando Nakagawa ,
O Estado de S.Paulo

20 Abril 2017 | 15h44

BRASÍLIA - Após a comemoração pela criação de 35.612 empregos em fevereiro, a economia brasileira voltou a fechar vagas em março. Dados do Ministério do Trabalho mostram que o Brasil perdeu 63.624 postos com carteira assinada. O governo minimiza a má notícia e reafirma a aposta na recuperação. Mesmo com a frustração recente, o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, diz que os dados podem “ter indicação positiva” em abril

O fechamento de empregos com carteira assinada no mês passado surpreendeu negativamente economistas. Pesquisa com 18 instituições realizada pelo Projeções Broadcast indicava previsão de criação de 9,9 mil empregos. Dos oito setores com dados detalhados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), sete tiveram queda do número de empregados e só a administração pública teve aumento, com 4,5 mil postos criados.

A piora do mercado é explicada pelo Ministério do Trabalho pela soma de fatores sazonais e conjunturais. Em março, setores como o varejo e a hotelaria costumam fechar vagas. No comércio, foram destruídos 33,9 mil empregos e outros 22,5 mil foram encerrados em serviços de hotelaria e alimentação após o fim das férias. Do lado conjuntural, a atividade segue em retração e, sem demanda, empresas continuam a despedir.

No ranking dos setores que mais demitiram, o comércio lidera e é seguido por serviços, que encerraram 17,1 mil postos, e construção civil, com 9 mil.

Ao apresentar os dados, Ronaldo Nogueira disse não ter havido comemoração antecipada no mês passado, quando dados foram anunciados com festa no Palácio do Planalto na presença do presidente Michel Temer. Na ocasião, o governo comemorou 35,6 mil novos empregos no primeiro resultado positivo após 22 meses de piora. “Não há frustração porque a comparação com 2016 mostra metade da perda de emprego do ano passado”, disse Nogueira, ao citar que o indicador mostra “redução da perda”. O Brasil viu 118 mil postos serem fechados em março de 2016, no mesmo mês deste ano, foram 64 mil.

Tendência. Para o coordenador de estatísticas do Ministério do Trabalho, Mario Magalhães, fevereiro “antecipou uma tendência que março não confirmou, mas a tendência de recuperação continua”. O ministro Nogueira reforçou esse tom. “Vamos recuperar os dados positivos”, disse. “Acredito que em abril poderemos ter uma sinalização positiva”. A confiança mora na retomada da confiança. Mais confiantes, empresários e famílias voltam a consumir e abre-se a perspectiva de criação de empregos.

Nos Estados Unidos, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, avaliou que a piora do indicador “era esperada e tem certa defasagem”, pois o mercado de trabalho demora para reagir quando há retomada da atividade. Mesmo com esse discurso apaziguador, Meirelles preferiu não apostar em uma data para a retomada do emprego. “Nossa expectativa é que, no meio do ano, teremos estabilização e início de um fluxo mais estável de criação de empregos”, disse.

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