Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Bolsa segue em alta e dólar em queda um dia após turbulência histórica do mercado

Na quinta-feira, a Bovespa desabou 8,80% - maior desde outubro de 2008 -, o dólar saltou 8,07% - terceiro maior ganho da história frente o real

Karins Sato e Luciana Xavier, Broadcast

19 Maio 2017 | 09h37
Atualizado 19 Maio 2017 | 15h36

(Atualizada às 15h)

A Bolsa continua o movimento de correção das perdas do dia de ontem  – apenas comparável ao estouro da crise financeira de 2008 – mesmo em meio a mais divulgações de mais detalhes da delação premiada de Joesley Batista, executivo da holding J&F.

Por volta das 14h30 todas as blue chips (empresas com as ações mais negociadas) do mercado acionário brasileiro apontavam ganhos de, no mínimo 2,5%, sendo que a maior alta era exibida nos papéis do Banco do Brasil ON, de 6,06%. O movimento, mesmo que de alta, era de cautela e mantinha o Ibovespa na marca dos 63 mil pontos, bem distante dos 68 mil pontos do início desta semana. O índice, naquele instante, marcava 63.474,69 pontos (3,05%).

No mercado de câmbio, o dólar à vista recuava 3,12% frente ao real às 14h49, cotado a R$3,2810. O recuo também era percebido na renda fixa com o contrato DI com vencimento para janeiro de 2018 exibindo 9,715% ante máxima em 10,20% e 10,075% no ajuste de ontem. O DI para janeiro de 2019 estava em 10,040% ante máxima em 10,71% e 10,41% no ajuste da véspera.

Ainda no início da tarde, em despacho de abertura de inquérito que tem Temer entre os investigados, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Edson Fachin, relator da operação Lava Jato, apontou que não há ilegalidade nos áudios gravados por Joesley. O ministro aponta ainda que as conversas gravadas foram "ratificadas e elucidadas" por Joesley em depoimento ao Ministério Público. 

Nesta sexta-feixa, a Fitch reafirmou os ratings de longo prazo do Brasil em BB, em moedas estrangeira e local. A perspectiva dos ratings é negativa. 

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Em função da alta volatilidade do mercado na véspera, o Tesouro fará operações extraordinárias de compra e de venda de títulos prefixados (LTN), títulos atrelados à inflação (NTN-B) e prefixados com juros semestrais (NTN-F) entre hoje e a próxima terça-feira (23/5). Temer orientou sua equipe a "partir para o enfrentamento", na tentativa de mostrar que não está acuado com as delações da JBS nem com o inquérito autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para investigá-lo.

Os ativos domésticos podem continuar sob pressão, apesar do clima positivo externo, após Temer dizer que não renuncia e tendo em vista que os relatores das reformas da Previdência na Câmara e da trabalhista, no Senado, já disseram que não há clima político para a continuidade agora da tramitação das medidas encaminhadas pelo governo.

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Exterior. No exterior, as bolsas na Ásia subiram nesta sexta-feira, assim como também operam com sinais positivos na Europa e futuros de Nova York, após registrarem perdas recentes em meio à turbulência política nos Estados Unidos. Segundo analistas, porém, os investidores continuam atentos a desdobramentos da crise política em Washington e acompanharão também o recente escândalo envolvendo Temer.

ADRs. Os American Depositary Receipts (ADRs) de Petrobrás e Vale operam em forte alta nos negócios do pré-mercado em Nova York, sugerindo que a abertura no mercado à vista será positiva. Por volta das 7h40, o ADR de Petrobrás avançava cerca de 7%, enquanto o da Vale subia mais de 3%. Ontem, os ADRs da petrolífera sofreram um tombo de 21,47% e os da mineradora caíram 6,32%, na esteira da crise política.

ETF. O mais popular fundo de índice de ações do Brasil negociado no Japão, o Next Funds Ibovespa Linked ETF, registrou fortes perdas pelo segundo dia consecutivo. O ETF brasileiro fechou em baixa de 6,52% em Tóquio hoje, após sofrer um tombo de 7,54% na sessão anterior.

Risco Brasil aumenta quase 30% após Temer afirmar que não renuncia

Impeachment. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) convocou uma sessão extraordinária de seu Conselho Federal para este sábado, a fim de discutir a possibilidade de pedir o impeachment do peemedebista. No Congresso, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê eleição direta em caso de vacância da Presidência da República, seja em função de renúncia, impeachment ou cassação do mandato pela Justiça Eleitoral, será pautada para ser analisada pelos integrantes da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na terça-feira, dia 23.

Apresentado pelo deputado Miro Teixeira (Rede-RJ), o texto propõe que a população, e não só os deputados e senadores, tomem essa decisão, via voto popular. Já a Câmara dos Deputados recebeu, até a noite desta quinta-feira, oito pedidos de impeachment de Temer.

Além de parlamentares da oposição, um grupo de ao menos sete parlamentares do PSDB, considerado o principal aliado do governo, protocolou um desses pedidos. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou ao Estado nesta quinta-feira, 18, que ainda não tomou decisão sobre os pedidos.

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