TV Estadão | 11.08.2015
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'Apreciação cambial está totalmente fora do controle', diz Abeifa

Setor de veículos importados havia se preparado para trabalhar com o dólar entre R$ 3 e R$ 3,30, mas moeda já acumula valorização de 70% em 12 meses e pressiona custos

Igor Gadelha, O Estado de S. Paulo

08 Setembro 2015 | 12h50

SÃO PAULO - A variação cambial no Brasil está "totalmente fora do controle", o que faz com que os importadores de veículos no País vivam a tempestade "mais perfeita possível", avaliou nesta terça-feira, 8, o presidente da Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores (Abeifa), Marcel Visconde. 

Em coletiva de imprensa para comentar o desempenho das marcas associadas à entidade em agosto, o executivo destacou que o setor está lidando com uma variação cambial de cerca de 70% nos últimos 12 meses encerrados em agosto, principal motivo para aumento de custos. 

Visconde afirmou que, no início do ano, trabalhava com o dólar entre R$ 3 e R$ 3,30 em 2015. "Trabalhar com R$ 3,80 ninguém imaginava", disse, lembrando que o atual patamar do câmbio é semelhante ao do início de 2003, quando o dólar disparou com a aversão do mercado após a posse do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com o executivo, a apreciação do câmbio se junta às consequências da crise política e econômica, fazendo com que o setor viva "a crise da perda de confiança, da não-motivação ao consumo e aumento de custos". 

Para o presidente da Abeifa, todo esse cenário já não é mais uma "travessia", mas um "período de sobrevivência". Segundo ele, o momento é de "muita cautela", pois a travessia se torna mais longa a cada dia que passa. "Vamos ter de ter muita criatividade e sangue frio para passar por ela", disse. O executivo prevê que, caso o governo não dê sinais claros de mudança, a crise poderá se prolongar até 2017. 

Para este ano, Visconde prefere não cravar projeção para os emplacamentos de importados. "Se o mercado manter a queda de 30% acumulada até agosto, será uma conquista importante", afirmou.

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