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Aquecedor solar reduz consumo de energia

Agencia Estado

04 Maio 2001 | 12h 48

O brasileiro utiliza preferencialmente energia elétrica para o consumo doméstico. De todos os aparelhos, o destaque é para o chuveiro elétrico. Especialistas do setor calculam que aproximadamente 7% de todo o consumo nacional de energia seja hoje utilizado somente para alimentar chuveiros elétricos. Engenheiros elétricos e associações do setor começaram a dar os primeiros passos em direção a opções energéticas mais limpas e eficientes, como o aquecimento solar. Essa alternativa para o aquecimento da água provém de uma fonte absolutamente limpa, gratuita e inesgotável, os raios solares. Segundo Luís Augusto Mazzon, vice-presidente de marketing e relações governamentais da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava) os aquecedores podem significar uma redução de até 35% na conta de luz. "A economia pode chegar a 35% no consumo de energia elétrica. Esse número varia conforme o número de pessoas em cada residência e o hábito de utilização do chuveiro elétrico", alerta o engenheiro elétrico Augustin Woelz do Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (Cietec) Os aquecedores solares disponíveis no mercado custam, em média, de R$ 800,00 a R$ 4.000,00, de acordo com dados da Abrava. Luís Augusto aconselha o consumidor a comprar o produto apenas em lojas que forneçam produtos autorizados pela Abrava e certificados pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro). O executivo da Abrava avisa que o mercado brasileiro de aquecimento solar vem crescendo a uma taxa anual de 50%. Hoje, o setor tem cerca de 400 mil sistemas instalados em residências brasileiras. Como o aquecedor funciona, no verão e no inverno O sistema de aquecimento solar começa com o coletor, principal componente dos aquecedores solares, que é produzido para captar os raios solares e transferir seu calor para a água. Os coletores podem ser instalados em telhados ou forros de residências que recebam sol entre 8h e 18h. A água aquecida durante o dia fica armazenada em um reservatório térmico, o que permite que a pessoa tome seu banho quente à noite ou ao amanhecer. No inverno brasileiro, mesmo nos dias mais frios, o calor do sol é suficiente para aquecer a água. Quando o tempo fica nublado, o aquecedor ainda assim produz água quente. Mesmo com o mormaço, muita energia solar é captada. "Em dias nublados, o aquecedor funciona normalmente, pois o mormaço também fornece calor. Isto proporciona a temperatura ideal para um banho agradável, mesmo no inverno.", explica Luís Augusto Mazzon, da Abrava. No período de chuvas, os aquecedores acionam um sistema complementar elétrico, o chamado aquecedor auxiliar, que aquece a água por energia elétrica, permitindo que o usuário tenha sempre água quente. Este sistema é ligado ao quadro disjuntor da residência. "Em dias de chuva, a pessoa que possui um aquecedor também toma banho quente. Gasta um pouco de energia elétrica, mas nem tanto como o chuveiro elétrico", avisa Luís Augusto. Programas alternativos para populações de baixa renda O engenheiro elétrico Augustin Woelz, desenvolveu no Cietec, em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), Instituto de Pesquisas Energéticas Nucleares (Ipen) e Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), um projeto de aquecedores solares de baixo custo. O projeto está à disposição de qualquer pessoa ou entidade que pretenda aproveitá-lo. O custo de cada aquecedor varia entre R$ 15,00 e R$ 110,00. Os aquecedores operam com 150 a 200 litros de água por dia, a temperaturas de até 55ºC. O sistema usa reservatórios de papelão, de isopor e de alvenaria, além de caixas-d´água tradicionais, em combinação com placas de termoplástico para converter a luz em calor. "O aquecedor é produzido com objetivo de atingir cerca de 25 milhões de famílias que moram em favelas, em conjuntos habitacionais e na zona rural", avisa o engenheiro. Na cidade de Contagem, no interior de Minas Gerais, pesquisadores do Grupo de Estudos de Energia da Pontifícia Universidade Católica (PUC-MG) em conjunto com a Eletrobrás estão realizando um programa de sistema de aquecimento solar. O projeto começou em 1998 e os aquecedores foram instalados em 100 casas populares. Segundo um dos coordenadores do projeto, Luciano Torres Pereira, os aquecedores alternativos proporcionaram uma redução média mensal de 30% na conta de luz dos moradores locais de outubro 2000 a fevereiro 2001. O aquecedor solar térmico de Contagem possui sistema de 200 litros com um coletor de 2 metros quadrados e abastece uma residência com 5 ou 6 pessoas. "A grande vantagem é a economia no orçamento mensal familiar", ressalta.

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