Argentina em caos pode influenciar mercados

No início da madrugada de hoje, fontes da Casa Rosada, sede do governo argentino, e toda a imprensa do país anunciavam a renúncia do ministro da Economia Domingo Cavallo. A conformação oficial veio por volta das 6 horas (horário de Brasília). Segundo apurou a correspondente Marina Guimarães, por meio de um comunicado, o presidente Fernando De la Rúa afirmou que aceitava a renúncia de Cavallo. O comunicado diz também que todos os ministros colocaram seus cargos à disposição do chefe de gabinete, Chrystian Colombo. Neste momento ainda existem manifestantes em frente à Casa Rosada, na Praça de Maio. A principal expectativa fica por conta de um possível afastamento do presidente Fernando De la Rúa e a convocação antecipada para novas eleições. O jornal Clarin afirma que esta seria uma das condições do Partido Justicialista para negociar um consenso pela manutenção da governabilidade. Já a União Cívica Radical (UCR, partido de De la Rúa) pretende exigir uma nova política econômica com o possível abandono da conversibilidade. No Brasil, ontem o Comitê de Política Monetária (Copom) não surpreendeu os analistas e manteve a Selic, a taxa básica referencial de juros, em 19% ao ano. Mesmo com a tendência de queda da inflação e do dólar, além dos bons números da economia, ainda é cedo para uma redução nos juros. No entanto, os mais otimistas já falam em corte talvez até na próxima reunião do Comitê, dias 22 e 23 de janeiro. Mas a tranqüilidade do mercado pode ser abalada nos próximos dias por causa do momento crítico que a Argentina atravessa. Embora esperado, o colapso financeiro pode afetar os mercados brasileiros, mesmo que momentaneamente, especialmente se o processo for muito desordenado. Como a conversibilidade é parte da Constituição e o governo não tem nem maioria no Congresso, mesmo a decisão de desvalorizar o peso envolve uma série de problemas do ponto de vista legal e prático. O fato é que, por enquanto, os investidores têm se mantido indiferentes à Argentina. Mas a situação argentina é gravíssima. Ontem, antes da decisão do Comitê, o presidente Fernando de la Rúa decretou estado de sítio. A medida foi uma reação à onda de saques e violência que está tomando o país e vem acompanhada de iniciativas modestas de distribuição de alimentos. Além da demissão de Cavallo, os mercados amanhecem com a notícia de que a Câmara cassou o projeto de lei que limita os saques bancários. Se o Senado ratificar a decisão, pode haver uma corrida bancária em meio ao pânico instaurado. Como o sistema financeiro está no limite, as conseqüências seriam drásticas. Se não bastasse, no dia 28, vencem US$ 451 milhões relativos a títulos do governo, e não há fundos para cobri-los. Altos funcionários do Fundo Monetário Internacional (FMI) já falam abertamente que o regime de paridade cambial entre o peso e o dólar é insustentável. E a agência internacional de classificação de risco Standard & Poor´s prevê que o colapso virá em janeiro. Pelos últimos acontecimentos, pode vir ainda antes. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

20 Dezembro 2001 | 08h03

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