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Argentina hesita entre esbravejar e negociar

Marina Guimarães - Correspondente - O Estado de S. Paulo

20 Junho 2014 | 03h 00

Conversa com fundos é descartada pelo governo, mas fonte diz que país pode negociar

BUENOS AIRES - A presidente Cristina Kirchner endureceu postura em relação ao grupo de credores que ganhou processo na justiça americana. Segundo o chefe de Gabinete de Ministros da Argentina, Jorge Capitanich, o governo não vai enviar missão à Nova York para negociar uma saída que possa evitar um novo default (calote) da dívida argentina, como havia antecipado um dos advogados do país, durante audiência realizada com o juiz americano Thomas Griesa, na quarta.

Na audiência, a primeira após a decisão da Corte Suprema de Justiça dos EUA de rejeitar pedido argentino de revisão da sentença, os fundos manifestaram intenção de negociar com a Argentina. Nesta quinta-feira, 19, uma fonte do hedge fund Elliott Management disse às agências internacionais que está disposto a aceitar bônus como pagamento dos títulos em default desde dezembro de 2001. Elliott Management, do multimilionário Paul Singer, controla NML Capital, líder do grupo beneficiado pela sentença.

Fonte do Ministério de Economia da Argentina disse, porém, ao Estado que o assunto não está decidido e o governo não descarta o envio de uma missão negociadora. “Os próximos passos ainda estão sendo estudados e o envio de missão não está descartado”, afirmou a fonte. Uma das hipóteses da negociação seria pagar uma parte do valor fixado pela sentença de US$ 1,33 bilhão, imediatamente, em cash. E, o restante do pagamento seria feito por meio de títulos. 

Graciela Calabrese/EFE
Versão oficial. Capitanich, em coletiva, disse que não haverá missão negociadora aos EUA

Credores. O dinheiro à vista seria usado por NML e os demais fundos para custear os gastos com o processo e cobrir os investimentos realizados com a compra dos títulos podres. 

Em troca, os credores suspenderiam o embargo de ativos da Argentina para evitar o default seletivo ao qual o país estaria submetido pela sentença. A decisão do juiz Griesa determina o bloqueio dos recursos depositados pelo país destinados aos credores regulares para garantir o pagamento aos fundos classificados pelo governo como “abutres” (especulativos). Um acordo daria à Argentina a garantia de manter os pagamentos em Nova York, sem correr risco de embargo. O país corre contra o relógio porque o primeiro vencimento da dívida reestruturada é de US$ 900 milhões, no dia 30 de junho.

No mesmo dia da audiência, o tribunal de apelações tornou sem efeito a liminar que impedia a execução da sentença. O que motivou uma nota do Ministério de Economia da Argentina lamentando a decisão.

Argumento. O texto repetiu argumento da presidente Cristina Kirchner e do próprio ministro Axel Kicillof de que o pagamento de US$ 1,33 bilhão pode disparar outros processos no valor de US$ 15 bilhões. A nota do Ministério gerou inquietudes no mercado sobre a possibilidade de a Argentina dar um calote nos credores de dívida reestruturada. Porém, o ministro Capitanich confirmou a informação de que o país pretende realizar um swap dos títulos para mudar a jurisdição de pagamento de Nova York para Buenos Aires. 

“Se confirmada a mudança, o país vai desacatar a justiça dos EUA, o que significa riscar a Argentina, as províncias e as empresas do mapa financeiro mundial”, sentenciou o economista Guillermo Nielsen, da consultoria Strategic Investments, ex-secretário de Finanças.

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