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Argentina vai tentar um acordo com os credores

Reuters - O Estado de S. Paulo

18 Junho 2014 | 21h 34

Autoridades vão a Nova York para tentar negociar com os fundos que se recusaram a participar da reestruturação da dívida do país

 NOVA YORK - Autoridades argentinas vão tentar na próxima semana negociar pela primeira vez com os fundos de investimento que se recusaram a participar da reestruturação da dívida, disse um advogado do governo que compareceu ontem ao Tribunal Federal de Nova York. A iniciativa pode deixar o país mais perto de resolver a longa batalha legal.

“Fui informado pela Argentina que autoridades estarão em Nova York na próxima semana e querem negociar com os holdouts”, disse Carmine Boccuzzi, do escritório Cleary Gottlieb Steen & Hamilton, em uma audiência perante o juiz distrital Thomas Griesa. 

Os “holdouts” são credores que não aceitaram participar das duas renegociações de dívida feitas pelo governo argentino, em 2005 e 2010.

As negociações são parte de uma tentativa de evitar o calote, apesar de Boccuzzi ter dito que “uma oferta de troca (de títulos da dívida) não está acontecendo neste momento”.

Default. Griesa deu ordem para que a Argentina pague US$ 1,33 bilhão aos holdouts, ao mesmo tempo em que paga os donos de títulos de dívida que participaram das reestruturações de US$ 100 bilhões em 2005 e 2010. 

Os donos de títulos de dívida que aceitaram participar das reestruturações têm um pagamento previsto para 30 de junho. Se não for feito, a Argentina entrará em default de sua dívida reestruturada.

Negociação. Se for confirmado, este será o primeiro encontro entre os fundos de investimento (hedge funds) e os representantes do governo argentino e pode indicar o começo do fim de uma das mais longas crises de dívida soberana na memória recente. A crise da dívida manteve o país sem acessar os mercados de capitais internacionais desde o calote de US$ 100 bilhões em 2001-2002.

A notícia vem na sequência de um discurso feito na terça-feira pelo ministro da Economia, Axel Kicillof. Ele disse que a Argentina está tomando medidas para que possa continuar pagando a grande maioria dos detentores de títulos que aceitaram uma reestruturação da dívida nos últimos anos - sem pagar os holdouts.

Os holdouts são liderados pelo NML Capital, uma divisão da Elliott Management, do bilionário Paulo Singer, e pela Aurelius Capital, de Marcos Brodsky.

Lei argentina. Um advogado da NML pediu ao juiz para impedir a Argentina de seguir com o plano de Kicillof, que envolveria o pagamento dos detentores de bônus reestruturados por meio da lei argentina.

“Estamos preparados para negociar com a Argentina desde que este assunto começou”, disse Robert Cohen, do escritório de advocacia Dechert. “Precisamos de uma ordem que torne impossível levar adiante o plano que eles anunciaram”, disse Cohen.

“Isso não é hipotético. Isso está acontecendo enquanto falamos e precisamos pará-lo”, completou o advogado.

Griesa concordou, e disse que indicaria que a proposta do ministro das Finanças da Argentina viola suas ordens.

“O mecanismo do tipo proposto pelo ministro das Finanças, seria uma violação dos procedimentos e ordens do tribunal”, disse Griesa.

Abutres. A presidente argentina, Cristina Kirchner rotulou os holdouts de “abutres” por atacar a carcaça da economia quebrada na sequência do calote de 2001-2002. Em discurso transmitido pela TV na terça-feira, ela disse que a Argentina foi vítima de “extorsão” pelos holdouts, mas ainda estava aberta a negociações. Ela insistiu que continuaria a pagar a mais de 90% dos credores que aceitaram os termos de reestruturação em 2005 e 2010.

Griesa criticou Cristina por usar a palavra “extorsão” em seu discurso.