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Arroba bovina sobe por aperto na oferta de animais para abate no Brasil

REUTERS

21 Agosto 2014 | 17h 52

Há cerca de três semanas, a arroba bovina oscilava perto de 119 reais, mas subiu para pouco mais de 125 reais

Evelson de Freitas/Estadão
Os preços da arroba bovina atingiram valor nominal recorde no final de março, de quase 128 reais, por conta da oferta restrita de animais para abate

Os preços da arroba bovina voltaram a subir no mercado brasileiro, aproximando-se do recorde nominal do final de março, em meio à limitada disponibilidade de boi gordo para abate, que tem feito os frigoríficos elevarem as ofertas, disseram especialistas.

"Teve uma mudança de cenário, principalmente, desde a semana passada... Foi um salto, com os preços subindo praticamente todos os dias. E os frigoríficos começam o dia ofertando valor maior pela arroba porque não conseguem alongar as escalas", disse a analista da Scot Consultoria Maisa Modolo.

A escala de abate corresponde ao período em que os frigoríficos contam com animais comprados para manter a operação. Uma escala mais longa significa que a oferta de animais para abate está mais confortável, as mais curtas indicam uma menor disponibilidade do boi gordo.

Segundo ela, as escalas mais longas acabam sendo exceção, atualmente.

Há cerca de três semanas, a arroba bovina oscilava perto de 119 reais, mas já subiu cerca de 5 por cento somente neste mês, para pouco mais de 125 reais, segundo o indicador Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), base São Paulo. No mesmo período do ano passado, a arroba estava em torno de 100 reais.

Os preços da arroba bovina atingiram valor nominal recorde no final de março, de quase 128 reais, por conta da oferta restrita de animais para abate, depois que uma seca atípica afetou pastagens em São Paulo, Goiás e Mato Grosso do Sul no começo do ano.

"É a oferta mais curta que vem balizando o preço da arroba bovina, mais do que o consumo (de carne bovina), que não está expressivo", acrescentou.

O Cepea também ressaltou a alta do boi em seu relatório mais recente.

"O impulso das cotações continua vindo da baixa oferta de animais para abate", disse o Cepea.

Entressafra. O setor vive, atualmente, o momento de entressafra com os pastos debilitados pela falta de chuvas, por isso o chamado boi de pasto já foi abatido.

A seca que danificou os pastos também acabou levando a alguma antecipação do confinamento --quando os animais são alimentados em cochos com ração na fase final de engorda até atingirem o peso ideal para abate.

Por isso, no começo de julho houve um pequeno aumento na oferta do boi de confinamento, que ajudou a manter os preços praticamente estáveis. Contudo, a analista da Scot observou que esta oferta não foi abundante e teve impacto limitado.

"Em agosto, o cenário teve pequena invertida. O boi de pasto já estava escasso e os bois de confinamento já tinham entrado em bom volume em julho, então diminuiu esta oferta agora", explicou Maisa.

Sobre a decisão da Rússia de elevar o número de unidades do Brasil habilitadas a exportar, ela avaliou que a notícia é positiva para o setor, mas tem impacto limitado nas cotações, uma vez que apenas 15 a 20 por cento da produção de carne bovina vai para o mercado externo, e a Rússia é parte deste percentual.

De qualquer forma, o Brasil tem previsão de exportações recordes de carne bovina em 2014.

(Por Fabíola Gomes; Edição de Roberto Samora)