1. Usuário
E&N
Assine o Estadão
assine
  • Comentar
  • A+ A-
  • Imprimir
  • E-mail

Arteb demite 220 funcionários, diz sindicato

- Atualizado: 13 Fevereiro 2016 | 09h 34

Segundo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, empresa de autopeças pediu recuperação judicial; informação não foi confirmada pelo grupo

O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC informou que a fabricante de autopeças Arteb, sediada em São Bernardo do Campo, demitiu na quinta-feira 220 trabalhadores, depois de ter entrado com pedido de recuperação judicial. Ainda segundo o sindicato, a empresa recorreu à recuperação judicial por não ter conseguido crédito para salvar suas finanças. A reportagem tentou entrar em contato com a Arteb, por telefone, mas não obteve resposta.

O sindicato pretende se reunir com os trabalhadores na próxima semana para analisar alternativas e “evitar um prejuízo maior”.

O presidente do sindicato, Rafael Marques, chegou a dizer que “a notícia, além de assustar, deixa a categoria em alerta”. A empresa conta com 1,3 mil trabalhadores e é líder na fabricação de sistemas de iluminação automotiva.

Até o ano passado, a Arteb mantinha duas unidades no ABC. A fábrica de Diadema teve de ser fechada e toda a operação foi concentrada em São Bernardo. Com o pedido de recuperação judicial, a empresa pretende evitar a falência.

Uma empresa faz o pedido de recuperação judicial quando perde a capacidade de pagar suas dívidas.

Rafael Marques, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, durante entrevista ao Estadão na sede do sindicato situada na rua João Basso, em São Bernardo do Campo

Rafael Marques, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, durante entrevista ao Estadão na sede do sindicato situada na rua João Basso, em São Bernardo do Campo

A notícia surge em meio a uma crise do setor automotivo no Brasil. No ano passado, as montadoras, que são as principais clientes das fabricantes de autopeças, registraram queda de 22,8% na produção de veículos novos em relação ao volume produzido em 2014, em razão dos fracos resultados nas vendas, que caíram 26,5% na mesma comparação.

Logo no primeiro mês deste ano, os dados mostraram quedas ainda mais intensas. A produção recuou 29% ante janeiro de 2015 e as vendas tiveram baixa de 38,8%.

Com isso, o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças) estima que suas associadas terminaram 2015 com faturamento nominal de R$ 63,2 bilhões, recuo de 17,7% em relação a 2014. A retração resultou no fechamento de 29,8 mil postos de trabalho. A previsão do Sindipeças para 2016 é que mais 8,4 mil empregos sejam eliminados.

Greve. Outra empresa de autopeças, a Italspeed, fabricante de rodas de liga leve em São Paulo, deve ter a produção paralisada na segunda-feira em razão de greve dos funcionários.

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, o protesto é contra “constantes atrasos de salários e o não cumprimento de acordos de pagamento das rescisões de demitidos firmados na Justiça do Trabalho.”

O diretor do sindicato, Carlos Augusto, diz que a empresa mandou 90% dos trabalhadores ficarem em casa, sem salário e, recentemente, começou a enviar telegramas de dispensas. A empresa também não pagou o 13º salário nem o abono do dissídio coletivo do ano passado e os salários estão atrasados.

Além disso, afirma Augusto, a Italspeed demitiu 35 funcionários no fim do ano e não pagou as verbas rescisórias. “Em audiência no Tribunal Regional do Trabalho, a Italspeed assinou acordo para pagar as rescisões em 14 parcelas, e já não pagou a primeira, programada para 3 de janeiro”, diz Augusto. Nenhum representante da empresa foi localizado ontem para comentar o assunto./ COLABOROU CLEIDE SILVA

Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Estadão.
É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Estadão poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Você pode digitar 600 caracteres.

Mais em EconomiaX