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'As políticas focaram no consumo até a exaustão', diz Vinicius Carrasco

ALEXA SALOMÃO - O Estado de S. Paulo

31 Agosto 2014 | 18h 31

Professor na PUC-Rio aponta para gargalos de infraestrutura como evidências da falta de investimento em capacidade de produção

Por que o Brasil patina? “É impensável que um País como o Brasil não possa crescer. Assim, acredito que uma combinação de políticas ruins e incerteza debilitou a economia. O crescimento de longo prazo está ligado à capacidade de se produzir mais e melhor - ou seja, está do lado do que chamamos de oferta. Mas as políticas focaram no consumo até a exaustão, deixando de lado melhorias na oferta dos produtos. O gargalo de infraestrutura evidencia isso. As estradas, os portos, as ferrovias são piores do que deveriam ser. Todos sabiam que era preciso investir em infraestrutura, mas o governo demorou. Criar um cenário futuro também importa. Empresários olham para a frente quando vão investir; empreendedores, quando buscam espaço para inovar. Quanto maior a incerteza em relação às regras, menor é a disposição para investir. Outra coisa preocupante neste momento é que entramos em recessão técnica com uma inflação no teto da meta - quando recessão costuma a ser acompanhada de queda de inflação. Essa peculiaridades nos coloca dentro de um cenário de estagflação.”

Como reverter o problema? “O mais fácil, imediato e barato é assumir um conjunto de regras que sejam claras e iguais para todos. Isso significa acabar com a proteção a setores eleitos. Proteger um setor tem dois efeitos bastante deletérios sobre a economia. Primeiro: aumenta o custo de produção, reduz a produtividade e o nível de competitividade. Segundo: quando um setor enfrenta menos competição, perde o estímulo para inovar e para buscar mais produtividade. Como crescimento de longo prazo está intimamente relacionado a ganhos de produtividade, a proteção, ao final, terá impactos negativos sobre o crescimento. É preciso também rever a política que elege esses ou aqueles setores como campeões nacionais. Com ela, quem recebe o crédito generoso do BNDES não é necessariamente a empresa que tem o melhor projeto, mas que é melhor relacionada. O favorecimento dessa natureza pode levar a um excesso de investimentos nas atividades erradas e induzir a escolha de projetos com menos qualidade. Esses equívocos reduzem a produtividade e o crescimento.”

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