Doug Mills/The New York Times
Doug Mills/The New York Times

Assessor de Trump sai após barreira tarifária

Gary Cohn, principal assessor econômico do presidente dos EUA, renuncia por discordar de medida protecionista

Cláudia Trevisan, correspondente, O Estado de S.Paulo

06 Março 2018 | 21h39

WASHINGTON - Cinco dias depois de o presidente Donald Trump ter anunciado a imposição de tarifas unilaterais sobre a importação de aço e alumínio, seu principal assessor econômico decidiu deixar o cargo. Ex-executivo do Goldman Sachs, Gary Cohn tem uma visão pró-mercado e é crítico de medidas protecionistas como as que a Casa Branca pretende implementar.

Cohn estava no cargo desde o início da gestão Trump e sua saída representa mais uma baixa de peso no primeiro escalão da administração. Na semana passada, o presidente perdeu sua diretora de Comunicação, Hope Hicks, que o acompanhava havia três anos e era sua mais próxima assessora. “Todo mundo quer trabalhar na Casa Branca”, declarou Trump duas horas antes da renúncia do diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca.

O debate sobre a adoção das tarifas opôs os protecionistas e os defensores do comércio e do livre mercado dentro do governo. Além de Cohn, a medida foi criticada pelo secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, que também trabalhou no mercado financeiro e no Goldman Sachs. Apesar de a barreira ter sido proposta sob o argumento de que as importações ameaçam a segurança nacional, o secretário de Defesa, James Mattis, também discordou da medida.

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“Gary foi meu principal conselheiro econômico e fez um trabalho excepcional na promoção da minha agenda, ajudando a concretizar reformas e um corte de impostos histórico, que libertaram a economia americana uma vez mais. Ele é um talento raro e eu agradeço seu dedicado serviço em favor do povo americano”, declarou Trump em nota.

A decisão do presidente de impor tarifas de 25% sobre o aço e der 10% sobre o alumínio abalou os mercados e levantou o espectro de uma guerra comercial que pode reduzir o ritmo de crescimento global. Na segunda-feira, 5, as Bolsas nos EUA subiram, com a expectativa de que a resistência às barreiras dentro do Partido Republicano poderia levar o presidente a mudar sua decisão. Mas a saída de Cohn é um indício de que Trump tende a manter a decisão de impor tarifas a todos os países e a todos os tipos de produtos importados pelos EUA.

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Judeu, Cohn esteve perto de deixar o governo no ano passado, quando o presidente foi ambíguo em sua posição em relação a marcha de supremacistas brancos em Charlotesville, na Virgínia. Segundo relato da imprensa americana, ele teria decidido a permanecer no cargo com uma missão: convencer Trump a não aprovar a tarifa sobre aço e alumínio.

Cohn disse em nota que foi “uma honra” servir a seu país e implementar políticas econômicas pró-crescimento, em especial o corte de US$ 1,5 trilhão de impostos

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