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Astrobelha operária

Em breve, a tripulação da estação espacial contará com a ajuda de um drone para tarefas de arrumação

O Estado de S.Paulo

26 Setembro 2015 | 09h58

Não é apenas na Terra que os drones são úteis. Desde 2006, três drones experimentais, com 22 centímetros de largura, conhecidos como Synchronised Position Hold, Engage, Reorient, Experimental Satellites, ou SPHERES (isto é, ESFERAS; embora na realidade sejam dodecaedros rombiformes truncados) circulam pela Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês). Agora, uma versão mais avançada, o Astrobee (ou Astroabelha), está sendo projetado no Ames Research Center, um laboratório que a NASA tem na cidade de Mountain View, na Califórnia.

Programado para entrar em operação em 2017, o Astrobee evita complicações geométricas: é apenas um cubo de 30 centímetros. Mas, em outros aspectos, é bem mais complexo que seus antecessores. Os SPHERES só podem ser usados em determinada área da ISS, e dependem de sinais luminosos para saber onde estão. O Astrobee utilizará visão computacional para orientar sua navegação.

O sistema de propulsão também será diferente. Os drones espaciais não gastam energia para se manter no ar. Como o restante da estação, estão em queda livre constante e, em vista disso, parecem flutuar em relação às paredes da ISS. De qualquer forma, precisam ser dotados de algum tipo de motor para circular pelo lugar.

Os SPHERES usam jatos de dióxido de carbono para se movimentar, e os pequenos bujões em que esse gás é armazenado têm de ser enviados para a estação, trocados pelos astronautas e mandados de volta para a Terra para receber nova carga. Já o Astrobee usará energia de bateria para comprimir ar a bordo da própria ISS e usá-lo como propulsor. A fim de reabastecer as baterias usadas com essa e outras finalidades, o drone também será capaz de se dirigir a um dos vários pontos de recarga da estação.

Além disso, o Astrobee não pretende ser um brinquedo. Os astronautas são pessoas muito ocupadas e a ideia é que o novo drone os dispense de algumas tarefas rotineiras, além de servir como um par de olhos virtuais para que os controladores em terra tenham uma visão mais adequada do que está acontecendo na estação espacial. Chris Provencher, que coordena o projeto de desenvolvimento do Astrobee, diz que os astronautas precisam, por exemplo, verificar regularmente o nível de ruído em vários pontos da ISS, que é barulhenta “como uma fábrica”. O excesso de ruídos pode danificar a audição da tripulação. Um ser humano leva duas horas para executar uma verificação completa. Quando o drone estiver funcionando, a atividade poderá ser automatizada.

O Astrobee também deve ajudar na limpeza e arrumação, encontrando coisas que escapam inadvertidamente do lugar e saem flutuando pela estação. Os administradores da ISS pretendem acrescentar etiquetas de identificação por radiofrequência (RFID, na sigla em inglês) em todos os itens a bordo, para que possam ser localizados caso desapareçam, como já aconteceu com milhares deles. A parte pressurizada da estação, para onde esses objetos se dirigem ao sumir, tem o tamanho da cabine de um Boeing 747, o que significa que procurá-los, mesmo com etiquetas RFID, é uma atividade demorada. O Astrobee aliviará a tripulação de mais esse encargo.

O novo drone também poderá dar uma de cineasta. Atualmente, os controladores de voo dependem de filmadoras presas a hastes fixas para ver o que acontece no interior da estação. Às vezes, essas câmeras têm de ser redirecionadas outra tarefa enfadonha para uma tripulação cheia de coisas para fazer. O Astrobee terá sua própria câmera de alta definição, que os controladores poderão posicionar onde bem entenderem, se quiserem verificar algo que esteja fora do alcance das câmeras fixas. Em outras palavras, mais que mosquinha na parede, o novo drone será uma abelha atarefada, zanzando pra todo lado.

© 2015 THE ECONOMIST NEWSPAPER LIMITED. DIREITOS RESERVADOS. TRADUZIDO POR ALEXANDRE HUBNER, PUBLICADO SOB LICENÇA. O TEXTO ORIGINAL EM INGLÊS ESTÁ EM WWW.ECONOMIST.COM

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