Ata nasce velha e resulta em mais incertezas

Embora esperada por muitos, a perda do grau de investimento veio antes da hora e atropelou a ata da última reunião do Copom, realizada na quarta-feira da semana passada. Ainda que mencione as incertezas lançadas pelas frequentes revisões no programa de ajuste fiscal, o documento envelheceu precocemente ao não levar em conta a proposta orçamentária para 2016 prevendo déficit primário, mesmo que esta também já tenha sido abandonada.

José Paulo Kupfer, O Estado de S.Paulo

11 Setembro 2015 | 02h05

Assim, as ponderações dos diretores do Banco Central perderam força explicativa para a decisão de manter a taxa básica de juros (Selic) inalterada e também para a perspectiva, reafirmada no documento, de mantê-la em 14,25% ao ano por um longo período. A tendência dos analistas, agora, é também apostar na manutenção dos juros. Mas adiaram para o fim de 2016 a hipótese do início de um ciclo de cortes, antes esperado para meados do primeiro semestre do próximo ano. Outros passaram a considerar a possibilidade de novas elevações na Selic ainda este ano.

Sem ter como levar em conta o relevante fato ocorrido no início da noite de anteontem, a mensagem transmitida pelos diretores do BC era a de que a economia estava encolhendo mais forte e mais rápido do que o previsto, inclusive por força de "eventos não econômicos" - um eufemismo do coponês, o idioma das atas, para a crise política. Mesmo com maior preocupação em relação ao cenário externo, o que poderia impulsionar a cotação do dólar, a inflação, segundo a ata, continuava a convergir para o centro da meta em 2016. Para isso, contribuiria ainda a constatação de que a política fiscal apontava na direção de caminhar para uma zona de neutralidade ou até migrar para uma área contracionista, "mesmo que mais lentamente e com menor intensidade".

É preciso não esquecer, nas atuais circunstâncias, que a manutenção dos juros no ponto alto em que se encontram atende às restrições que, no momento, dificultam os movimentos da política monetária. Menos pela contribuição ainda insuficiente da política fiscal, está mais complicado mexer nos juros porque essa manobra impulsiona a dívida pública e deteriora a percepção de solvência da economia.

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