Ata vem conservadora, mas Mantega diz que isso é só uma "interpretação"

A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada hoje, apresenta de forma clara a idéia de que o corte dos juros serão menores a partir de agora - "a flexibilização adicional da política monetária seja conduzida com maior parcimônia". Apesar disso, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que é apenas "uma interpretação" a visão do mercado financeiro de que o documento foi conservador. Ele chegou a dizer que os textos "nunca são tão explícitos", quando, ainda hoje, a palavra parcimônia foi usada na ata em referência às próximas decisões do Comitê. Contudo, ele disse que este assunto será tratado "ao longo do tempo", mas destacou que o cenário observado pelo governo demonstra que a inflação está sob controle, inclusive, com a perspectiva de que a inflação ficará abaixo do centro da meta no fechamento do ano - a meta é de 4,5%, com margem de tolerância de dois pontos porcentuais para cima e para baixo. "Com certeza, continuará havendo redução da taxa de juros. Fiquem tranqüilos, porque as taxas continuarão caindo porque as condições são favoráveis", complementou. Segundo Mantega, são provas dessas condições favoráveis: a queda das taxas de juros futuros (negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros-BM&F), a diminuição do custo (juros) da dívida pública, e a queda nas taxas pagas pela iniciativa privada para a captação de recursos no mercado. Investimentos Ele avalia que, neste momento, o País passa por período de "franca ascensão" de investimentos produtivos. "Os dados do setor de bens de capital apontam crescimento em janeiro e fevereiro e a construção civil está crescendo. Também o consumo aparente de bens de capital está muito superior, de acordo com dados do IBGE", afirmou. Por entender que a inflação do País está sob controle, Mantega admitiu a possibilidade de a política monetária ser "menos austera", no futuro, como forma de incentivar a atração de mais investimentos. Ele insistiu, entretanto, que as condições para investimentos produtivos no País hoje estão melhores, por conta da redução de custos de linhas de financiamento do BNDES, do crédito agrário e no conjunto do mercado de capitais. "Existe um boom no sistema de crédito no mercado brasileiro", opinou.

Agencia Estado,

27 Abril 2006 | 13h17

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