Aumentou muito a chance de o País perder o grau de investimento, diz BNP Paribas

Para o economista-chefe para a América Latina do banco BNP Paribas, Marcelo Carvalho, governo precisa dar mais clareza às diretrizes da política econômica

Vinicius Neder , O Estado de S. Paulo

04 Setembro 2015 | 13h06

RIO - Aumentou muito a probabilidade de o Brasil perder o grau de investimento junto às agências de classificação de risco, movimento que já está no preço dos credit default swaps (CDSs) do Brasil, na visão do economista-chefe para a América Latina do banco BNP Paribas, Marcelo Carvalho. 

"Aumentou muito a probabilidade de perder o grau de investimento. É claro que a piora, de um lado, da perspectiva de crescimento e, de outro lado, da perspectiva fiscal, se traduz numa dinâmica de dívida pior. Isso é uma variável-chave para a determinação da nota de risco", afirmou Carvalho ao Estado, após dar palestra promovida pela Câmara de Comércio França-Brasil do Rio.

Segundo o economista, a perda do grau de investimento está já nos preços no mercado de CDS. "A gente está pagando um spread de mais de 300 pontos básicos, que parece mais consistente com uma nota BB do que BBB", afirmou Carvalho. 

Política fiscal. Para Carvalho, há uma "certa ambiguidade" em relação às metas de superávit fiscal primário e, por isso, o governo precisa dar mais clareza às diretrizes da política econômica. "É importante o fortalecimento do discurso em relação a metas claras, de qual é a política econômica, por exemplo, em relação à questão fiscal para o próximo ano. A meta ainda é mantida em 0,7% ou não? Ou, de fato, estamos falando de um déficit? Se de fato estamos buscando superávit, como a gente vai chegar lá?", questionou Carvalho.

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'A gente tem que caminhar para um cenário de menos ambiguidade e mais clareza nas diretrizes da política econômica' - economista-chefe para a América Latina do banco BNP Paribas, Marcelo Carvalho
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Segundo Carvalho, o envio do Orçamento de 2016 ao Congresso com previsão de déficit primário aumentou a ambiguidade. "Há uma certa ambiguidade, sim. De um lado o orçamento prevê um déficit para o ano que vem, de outro lado há sinalizações no sentido de que o governo estaria buscando números melhores", afirmou o economista.

Na palestra, Carvalho elogiou o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, ao destacar seu currículo como "quase perfeito", mas evitou ressaltar a importância de sua permanência no cargo, como fiador da política econômica. "A gente tem que caminhar para um cenário de menos ambiguidade e mais clareza nas diretrizes da política econômica. Mais do que o nome específico, o importante é qual a sinalização que a gente está tendo", disse. 

Perguntado se a atuação do Congresso na crise política contribui para aumentar a ambiguidade da política econômica, Carvalho destacou a importância de haver um "esforço conjunto". "O problema no Congresso é que a gente tem esse ambiente político de incerteza. Obviamente, o contexto das investigações da Lava Jato cria esse ambiente que não tem sido muito propício à aprovação de medidas no lado fiscal. Agora, para a gente chegar lá, ter de fato políticas fiscais melhores, só pode ser um esforço conjunto". 

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