Bahia e Rio disputam traçado da Bioceânica

Ferrovia ainda nem saiu do papel, mas já provoca discussão sobre o traçado

André Borges, O Estado de S. Paulo

06 Setembro 2015 | 05h00

BRASÍLIA

A Ferrovia Bioceânica, com seus milhares de quilômetros projetados para ligar o Brasil e o Peru, ainda não passa de uma mera promessa de R$ 40 bilhões criada para inflar anúncios oficiais de investimentos, mas já conseguiu gerar ruídos entre os governos do Rio de Janeiro e da Bahia.

Pelo projeto atual, o “tramo leste” da Bioceânica partiria do Mato Grosso e avançaria até a cidade carioca de Campos dos Goytacazes, em um traçado 100% novo. O governo baiano, no entanto, enxerga na Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) a possibilidade de ser este pedaço que avança até o oceano Atlântico. 

Viabilidade. Duas semanas atrás, foi criada uma frente parlamentar na Câmara, para defender a viabilidade do empreendimento. Os baianos não deram sinal de vida, mas os cariocas marcaram presença e chegaram a apresentar mapas com detalhes do trajeto que seria percorrido pelos trilhos.

Perguntado sobre a possibilidade do traçado da bioceânica incluir a ferrovia baiana, o secretário de transportes do Rio de Janeiro, Carlos Roberto Osorio, disse que “o projeto é uma prioridade para o Rio” e que o governo precisa apostar em “empreendimentos viáveis”.

Os cariocas assinaram um “protocolo de intenções” com o governo do Espírito Santo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, para elaboração de projeto detalhado do tramo leste da Bioceânica.

Para Eracy Lafuente, coordenador executivo de infraestrutura e logística da Casa Civil do governo da Bahia, não há nada decidido. “Esse projeto carioca não tem sequer traçado definido. É óbvio que o melhor caminho é a Fiol, que está em plena execução. A nossa interligação é muito mais ajustável. Vamos tratar desse assunto”, comentou.

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