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Baixa contábil da Petrobrás reduz lucro líquido do BNDES em R$ 4,485 bi em 2015 

- Atualizado: 28 Março 2016 | 21h 37

Banco de fomento divulgou balanço nesta segunda-feira e mostra que, se não fosse a Petrobrás, lucro teria chegado a R$ 10,684 bi

Impairment com a Petrobrás levou BNDES a reduzir lucros

Impairment com a Petrobrás levou BNDES a reduzir lucros

RIO - O lucro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) teve retração de 27,9% em 2015, para R$ 6,2 bilhões. O principal fator para a redução foi a participação acionária da instituição na Petrobrás – o BNDES é dono de 17,2% do capital da petroleira. Por causa da queda nas cotações dos papéis, o BNDES registrou uma baixa contábil de R$ 7,3 bilhões no balanço financeiro no passado, divulgado nesta segunda-feira, 28.

Na esteira do derretimento das ações da estatal na Bolsa, a instituição de fomento viu o valor de sua fatia na petroleira encolher em 27,4% em 2015. Essa participação encerrou 2015 valendo R$ 16,327 bilhões, contra R$ 22,483 bilhões de 2014.

Ano a ano, ao elaborar o balanço financeiro, os técnicos do BNDES fazem uma avaliação econômico-financeira dos ativos que o banco, como as participações acionárias. No ano passado, essa avaliação calculou em R$ 7,293 bilhões a “perda permanente” do banco com a fatia na Petrobrás.

Uma exceção na maneira de registrar as perdas evitou que o lucro do banco de fomento fosse ainda menor. Essa mudança ampliou em R$ 2,7 bilhões o resultado final do BNDES. A ressalva referente ao lucro foi feita pela KPMG, auditora do balanço financeiro. 

A KPMG considerou que, sem essa norma, o lucro do BNDES seria de R$ 3,5 bilhões. Em 2014, isso já havia ocorrido. A mesma KPMG fez a ressalva de que o lucro daquele ano (R$ 8,594 bilhões) deveria ser R$ 1,6 bilhão menor.

Uma parte desses R$ 2,7 bilhões, incluída nesse valor, foi registrada em conta separada, por causa de uma norma de 2012 do Conselho Monetário Nacional (CMN). Pela norma, a parte dos valores calculados como “perda permanente” referente a todas as ações transferidas pela União para o BNDES pode ser reduzida apenas do patrimônio – e não do lucro.

Ainda assim, o BNDES calculou que, não fosse pelas baixas com a Petrobrás, teria tido lucro de R$ 10,684 bilhões. “É um problema conjuntural. A Bolsa está em baixa desde 2014”, disse Carlos Frederico Rangel, chefe do Departamento de Contabilidade do BNDES.

Segundo o BNDES, o resultado da intermediação financeira – retorno obtido com empréstimos – foi de R$ 18,691 bilhões, 39,6% superior ao de 2014, ajudando a compensar o prejuízo.

Esse resultado cresce junto ao aumento do poder de fogo do BNDES. Quanto mais empresta, maior a receita de um banco. “Temos uma carteira média em 2015 maior do que em 2014. E ela cresce com qualidade”, disse Rangel.

Desde 2009, com os aportes bilionários do Tesouro no banco, como uma estratégia para evitar os efeitos da crise internacional, o volume de empréstimos cresceu ano a ano, seguindo a alta dos ativos. Em 2015, a carteira de crédito fechou em R$ 700 bilhões. Em 2008, estava em R$ 220 bilhões.

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