Toru Hanai/Reuters
Toru Hanai/Reuters

Balança comercial da China gera mais temor de desaceleração econômica

Parte do mercado acredita que a meta de crescimento do comércio de Pequim, de 6%, não pode ser alcançada; exportações chinesas caíram em seis dos oito meses do ano

Gabriel Bueno da Costa, O Estado de S. Paulo

08 Setembro 2015 | 11h47

SÃO PAULO - A China divulgou mais um dado fraco de sua balança comercial nesta terça-feira, com a demanda global mais fraca pelos produtos do país e também com compras abaixo do esperado da economia nacional. As exportações da China caíram 5,5% em agosto, na comparação com igual mês de 2014, acima da previsão dos analistas de recuo de 5,2%, enquanto as importações tiveram queda de 13,8% no ano, bem acima da estimativa de recuo de 7,9%.

As exportações chinesas caíram em seis dos oito meses do ano. Com a queda maior nas importações, o superávit da balança comercial aumentou para US$ 60,2 bilhões em agosto, de US$ 43,03 bilhões em julho. Os números fracos podem somar mais preocupações às já existentes, que causaram recuos nos mercados de ação globais no último mês.

O analista Haigin Zhu, do J.P. Morgan, afirmou que a meta de crescimento do comércio de Pequim, de 6%, "não pode ser alcançada". Segundo ele, o superávit comercial maior é basicamente fruto das importações mais fracas, motivadas pela queda nos preços globais da commodity e pela demanda externa fraca. "O impacto da desvalorização do yuan em agosto tende a ser limitado", afirmou o economista. "Geralmente leva cerca de seis meses para um movimento do yuan afetar as importações. Portanto, o impacto dependerá da próxima ação na política cambial do banco central."

Na opinião de Angus Nicholson, da IG, os números da balança comercial chinesa "geram mais preocupação sobre o estado da economia" do país. Nicholson lembrou que foi o sexto mês em que as importações chinesas recuaram mais de 10% neste ano. O analista destacou o fato de que houve uma queda de 14% no volume importado de minério de ferro, na comparação com o mês anterior, o que deve preocupar as mineradoras. Ainda segundo ele, há a especulação de que Pequim pode desvalorizar mais o yuan em 2015.

Já os economistas Larry Hu e Jerry Peng, da Macquarie, acreditam que um yuan estável é a melhor opção no momento e que a desaceleração nas exportações não ocorre apenas na China, mas também por exemplo na Coreia do Sul e em Taiwan. "Se o yuan de fato desvalorizar muito, diante do dado comercial de hoje, isso vai certamente levar a uma guerra cambial global", afirmam eles. A Macquarie revisou sua previsão para as exportações chinesas em 2015, esperando agora queda de 2% ante o ano anterior, de projeção anterior de crescimento de 4%. No caso das importações, a previsão agora é de recuo de 12%, de queda de 6% antes esperada. Por outro lado, os economistas esperam que Pequim anuncie mais afrouxamento monetário. "Eles farão o que puderem para chegar à meta de crescimento de 7% e reduzirão a meta para o próximo ano para 6,5%", esperam.

Uma visão menos pessimista que a geral foi defendida por Julian Evans-Pritchard, da Capital Economics. Segundo ele, o número negativo das exportações tem mais a ver com o que aconteceu há um ano, quando houve um avanço forte nos embarques no segundo semestre de 2014. Outro problema apontado por ele é a queda nos preços globais das commodities, que continuou em agosto e afeta os números do comércio. "Olhando adiante, nós acreditamos que o crescimento no comércio deve se recuperar ao longo dos próximos trimestres", afirmou. Os problemas causados pela explosão em Tianjin e pela parada para marcar o fim da Segunda Guerra devem perder força neste mês, aponta ele. Evans-Pritchard acredita que o crescimento maior em importantes parceiros comerciais deve estimular as exportações, enquanto mais gastos em investimento elevarão as importações.

Para Li-Gang Liu e Louis Lam, do banco ANZ, a recente depreciação do yuan não deve ter um impacto significativo na competitividade chinesa nas exportações no curto prazo. Antes da visita do presidente chinês, Xi Jinping, aos Estados Unidos, no fim de setembro, os economistas acreditam que as intervenções devem continuar a evitar uma depreciação maior do yuan. 

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