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Balança comercial fica positiva pela 1ª vez no acumulado do ano

Renata Veríssimo,Victor Martins,Álvaro Campos - Agência Estado

01 Setembro 2014 | 15h 15

Saldo ficou positivo em US$ 249 milhões nos oito primeiros meses do ano; em agosto, exportação de uma plataforma de petróleo influenciou resultado positivo, mas valor foi o menor desde 2001

Pela primeira vez em 2014, a balança comercial brasileira registrou superávit para o período acumulado no ano - o saldo ficou positivo em US$ 249 milhões nos oito primeiros meses do ano. Em igual período do ano passado, o resultado era um déficit de US$ 3,752 bilhões.

O resultado foi ajudado pelo desempenho no mês de agosto, que registrou um saldo positivo de US$ 1,1 bilhão com a exportação de uma plataforma de petróleo e aumento dos embarques de petróleo. Por conta disso, as vendas externas do grupo de manufaturados tiveram uma alta de 3,8%, pela média diária, em relação a agosto de 2013. Também houve aumento nas vendas de laminados planos, óleos combustíveis e tubos de ferro fundido.

O desempenho da balança comercial veio acima das expectativas do mercado. Mesmo assim, o resultado de agosto é o menor valor para o mês desde 2001, quando havia sido de US$ 634,24 milhões. A estimativa de mercado, segundo o boletim Focus do Banco Central, é que o Brasil encerre um superávit de US$ 2,17 bilhões em 2014.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) informou que o governo não tem previsões para as exportações em 2014, mas projeta que o saldo da balança comercial será positivo ao fim do ano. A afirmação foi feita por Roberto Dantas, diretor do Departamento de Estatísticas e Apoio à Exportação da pasta. Ele garantiu ainda que os dados do ministério mostram que o Brasil mantém tendência de crescimento das exportações para os EUA.

As exportações para os EUA, segundo dados apresentados por Dantas, aumentaram de US$ 16,197 bilhões para US$ 17,818 bilhões no acumulado deste ano. "O Brasil está tendo ganho em setores como construção civil e em petróleo", explicou Dantas. Ele ponderou, no entanto, que o resultado das exportações não tem sido melhor em função da crise na Argentina. "Dentro das exportações de manufaturados, 66,1% da queda é atribuída à Argentina", calculou o diretor do MDIC.

Surpresa. O resultado da balança comercial surpreendeu positivamente e um cenário um pouco mais otimista para as exportações tende a persistir no restante do ano, na avaliação do economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito. A expectativa de Perfeito é que 2014 acabe com superávit comercial acumulado de US$ 3 bilhões.

"O que eu vejo é uma situação melhor das exportações brasileiras ao longo do terceiro trimestre", disse Perfeito, lembrando que, na divulgação da semana passada, referente ao Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, a parte ligada às exportações já havia sido uma das poucas com conteúdo positivo na publicação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). "Eu acho que esse cenário tende a persistir porque tivemos um início do ano com o choque relacionado aos problemas da Argentina e, como está sendo discutido o fim do Quantitative Easing (programa de estímulo do banco central dos Estados Unidos), é bem provável que alguns poucos mercados reajam melhor", explicou.

O economista Bruno Lavieri, da consultoria Tendências,  previa superávit de US$ 900 milhões em agosto, mas mesmo com os números melhores do que o esperado não deve rever sua projeção para o saldo da balança no ano, de US$ 3 bilhões. "A questão da atividade econômica bateu mais no primeiro semestre. A ideia é que a economia se recupere no segundo semestre, e com o câmbio um pouco mais apreciado do que seria o equilíbrio, isso favorece as importações", explica.