ALEX SILVA / ESTADÃO
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Banco Central está trabalhando para reduzir custo do crédito, diz Ilan

Presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, apontou para retomada nas concessões de crédito

Daniela Amorim e Denise Luna, O Estado de S.Paulo

02 Abril 2018 | 14h04

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmou nesta segunda-feira, 2, que a autoridade monetária está trabalhando para reduzir o custo do crédito. Ele lembrou que a taxa de juros média da economia está em torno de 21,7% ao ano, segundo o indicador de Custo de Crédito de fevereiro.

"As concessões de crédito estão começando a subir", garantiu Goldfajn, durante o seminário "A retomada do crescimento", promovido pelo Centro de Economia Mundial da Fundação Getulio Vargas, no Rio. "Um fenômeno muito importante do ano passado que é o mercado de capitais teve papel de substituir a fonte de financiamento das empresas", citou o executivo, lembrando que as emissões de debêntures e notas promissórias cresceram 90%, embora tenham sido ajudadas pela base de comparação fraca do período de recessão.

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Goldfajn enumerou outras medidas que o Banco Central conduziu no sentido de avançar na agenda da autoridade monetária, como a aprovação da Taxa de Longo Prazo (TLP) para os empréstimos concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), marco legal punitivo, liquidação centralizada de arranjos de pagamentos, registro eletrônico de garantias e mudança no rotativo do cartão de crédito, que resultou em taxa mais baixa ao consumidor.

 

 

"Muitos dos avanços que ocorreram foram avanços de décadas. A mudança na TLP (em substituição à TJLP) é uma mudança estrutural", declarou.

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Quanto às ações ainda em andamento, Goldfajn ressaltou as discussões em torno do projeto de lei sobre a autonomia do Banco Central e a criação do cadastro positivo.

"O cadastro positivo significa que a sua informação pode ser democratizada e não ficar apenas em dois ou três bancos", defendeu.

Reformas. O presidente da autoridade monetária ainda afirmou que o Banco Central prevê uma recuperação consistente da atividade econômica este ano, mas que há riscos no radar.

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"Para 2018, esperamos recuperação consistente da economia, com inflação em direção às metas. Mas há riscos. O cenário internacional encontra-se benigno, mas não podemos contar com essa situação perpetuamente", afirmou Goldfajn.

Goldfajn disse que houve avanços significativos e estruturais na agenda do BC, mas que o Brasil precisa continuar no caminho de ajustes e de reformas para manter a inflação baixa, a queda dos juros estruturais e a recuperação sustentável da economia. "Temos uma agenda cheia, que vai além desse ano. É um legado para o futuro", mencionou Goldfajn, sobre as medidas tomadas pelo BC.

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