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Banco Central estende programa de intervenção no câmbio para além de junho

BY PATRICIA DUARTE - REUTERS

06 Junho 2014 | 20h 22

O Banco Central brasileiro anunciou nesta sexta-feira a extensão do programa de intervenção no mercado de câmbio a partir de 1º de julho, com a manutenção dos leilões de swap cambial, para dar hedge e liquidez ao mercado, em uma semana em que a moeda norte-americana voltou a se aproximar de 2,3 reais.

Em comunicado divulgado após o fechamento do mercado, o BC não deu detalhes do programa, como prazo e montante das operações. Mas segundo informações de dentro do governo obtidas pela Reuters, o volume dos contratos de swaps cambiais --equivalente à venda futura de dólares-- ofertado deve ser reduzido em relação aos 4 mil papéis colocados por dia atualmente.

"Considerando que a necessidade de proteção cambial (hedge) demandada pelos agentes econômicos vem sendo atendida pelo programa de leilões de swap e venda de dólares... e ainda com o objetivo de continuar provendo hedge cambial e liquidez ao mercado de câmbio, o BC estenderá, a partir de 1º de julho de 2014, o programa de leilões de swap cambial", disse o BC em comunicado.

O BC iniciou o programa de intervenções em agosto passado, quando o dólar encostou em 2,45 reais diante das incertezas sobre o futuro do programa de estímulos do Federal Reserve, banco central norte-americano. Naquele momento, a autoridade monetária brasileira ofertava todos os dias, com exceção de sexta-feira, até 10 mil contratos de swaps. No último dia útil da semana, fazia leilões de venda de dólares com compromisso de recompra, conhecidos como leilão de linha.

No início deste ano, com o dólar mais comportado a 2,35 reais e sinais consistentes de que o Fed continuaria cortando seus estímulos de forma gradual, o BC passou a ofertar diariamente até 4 mil contratos por dia, e interrompeu os leilões de linha. Na época, o BC informou que isso ocorreria "pelo menos até 30 de junho de 2014".

Nos últimos dois meses, o dólar oscilou dentro de uma banda informal de 2,20 a 2,25 reais, patamar que o mercado acredita agradar a autoridade monetária por não ser inflacionário e não afetar as exportações do país.

Nesta semana, contudo, a moeda norte-americana acabou sendo pressionada e chegou a encostar em 2,30 reais, mas recuou a partir de quinta-feira, após o anúncio de medidas expansionistas por parte do Banco Central Europeu, que indicam maior liquidez internacional. O dólar encerrou a semana abaixo de 2,25 reais.

O governo também anunciou nesta semana o fim da cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas operações de captação no exterior de prazo entre 181 e 360 dias, outra medida com potencial de aumentar o ingresso de dólares no país. O IOF com alíquota de 6 por cento passou a incidir apenas nas operações com prazo inferior a seis meses.

De modo geral, operadores e especialistas em mercado de câmbio já esperavam que o BC ampliasse seu programa de intervenções, até para evitar que uma interrupção abrupta gerasse volatilidade no mercado.