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Economia

Banco Central Europeu

Banco Central Europeu corta juros e amplia estímulos à economia

Taxa de empréstimos ao setor bancário foi reduzida para a mínima histórica de 0%, enquanto as injeções mensais no mercado vão subir para € 80 bilhões a partir de abril, incluindo bônus de empresas não financeiras

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Sergio Caldas,
O Estado de S. Paulo

10 Março 2016 | 11h52

FRANKFURT - O Banco Central Europeu (BCE) decidiu nesta quinta-feira cortar suas principais taxas de juros, ampliar o volume mensal de compras de seu programa de relaxamento quantitativo (QE, na sigla em inglês) e lançar uma nova série de quatro operações de refinanciamento de longo prazo direcionadas, as chamadas TLTROs, como parte de um pacote de medidas para estimular a economia e a inflação da zona do euro.

Após reunião de política monetária, o BCE anunciou que reduziu sua taxa de refinanciamento, que é cobrada sobre empréstimos regulares concedidos ao setor bancário, de 0,05% para a mínima histórica de 0%. A taxa de depósitos também foi cortada, de -0,30% para -0,40%, o que significa que os bancos comerciais pagarão ainda mais para manter recursos excedentes depositados no BCE.

O BCE também anunciou que vai ampliar as compras mensais do QE (compra de títulos públicos e privados), de €60 bilhões para €80 bilhões, a partir de abril. A partir de agora, o BCE também que poderá começar a comprar bônus em euros de empresas não financeiras com grau de investimento. Com isso, o bônus de empresas da zona do euro subiram, disseminando otimismo entre as bolsas europeias.

"Baixar a taxa de refinanciamento e expandir a compra de ativos a €80 bilhões por mês foi mais do que o esperado. O que foi grande foi a expansão para incluir papéis corporativos", disse Brian J. Jacobsen, estrategista da Wells Fargo Asset Management. 

Além disso, será lançada, em junho, uma nova série de quatro TLTROs, por meio das quais o BCE oferece empréstimos de longo prazo aos bancos, com a condição de que as instituições financeiras ampliem o crédito às empresas.

Projeções. O presidente do BCE, Mario Draghi, anunciou nesta quinta-feira que a equipe da instituição cortou projeções para o crescimento da economia e também da inflação na zona do euro. A redução mais acentuada em relação às projeções divulgadas em dezembro ocorreu na expectativa de inflação para o ano atual.

Draghi disse que a equipe do BCE reduziu a projeção do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) na zona do euro de 1,0% para 0,1% em 2016. No ano seguinte, a expectativa de CPI recuou de 1,6% para 1,3%. No caso de 2018, a projeção de inflação na zona do euro ficou em 1,6%.

A previsão do BCE para o crescimento do PIB da zona do euro em 2016 recuou de 1,7% para 1,4%. No caso de 2017, a projeção caiu de 1,9% para 1,7%. Em 2018, a projeção de crescimento de PIB é de 1,8%.

Reação. Os bancos alemães criticaram duramente as novas medidas de relaxamento monetário do BCE. Na avaliação dessas instituições, as taxas de juros negativas pressionam as margens do setor, prejudicam os empréstimos de longo prazo e causam certas distorções em mercados de bônus.

De acordo com Michael Kemmer, do grupo de lobby bancário BdB, não é de maneira alguma necessário que o BCE injete mais dinheiro no sistema. O BCE "exagera os riscos de deflação", avalia ele. O grupo, que representa bancos alemães como o Deutsche Bank e o Commerzbank, afirma que o preço do petróleo é a principal causa do recuo nos preços e Kemmer lembra que as cotações da commodity tiveram uma reação nas últimas quatro semanas.

(Com informações da Dow Jones Newswires)

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