André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Banco Central indica que a taxa básica de juros em dezembro pode ser a menor da história

Em ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), quando a Selic foi a 7,5% ao ano, BC não indicou fim do ciclo de corte; especialistas esperam queda de 0,5 ponto percentual na próxima reunião em dezembro

Fabrício de Castro e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

31 Outubro 2017 | 08h31

BRASÍLIA - O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reafirmou, na ata do encontro da semana passada, que a evolução do cenário básico, em linha com o esperado, e o estágio do ciclo de cortes tornaram adequada a redução da Selic (a taxa básica de juros) em 0,75 ponto porcentual, de 8,25% para 7,50% ao ano.

Na ata, o Copom também voltou a sinalizar a intenção de, no encontro de 5 e 6 de dezembro, aplicar um corte menor. "Para a próxima reunião, caso o cenário básico evolua conforme o esperado, e em razão do estágio do ciclo de flexibilização, o Comitê vê, neste momento, como adequada uma redução moderada na magnitude de flexibilização monetária."

Para os economistas do mercado financeiro, no comunicado da semana passada, a mensagem foi clara: a Selic cairá mais 0,5 ponto porcentual em dezembro, para 7% ao ano. Se confirmado, este será o menor nível para a Selic desde que a taxa é utilizada como referência para a política monetária. 

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Ao mesmo tempo, como vem fazendo nos últimos meses, o colegiado pontuou, na ata, que "o processo de flexibilização continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, de possíveis reavaliações da estimativa da extensão do ciclo e das projeções e expectativas de inflação".

Neste trecho, o BC não fez - assim como havia ocorrido no comunicado da semana passada - nenhuma menção ao encerramento do ciclo. Na ata do encontro anterior do Copom, de setembro, o colegiado antevia um "encerramento gradual do ciclo". 

O BC enfatizou ainda na ata de hoje que "o processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira contribui para a queda da taxa de juros estrutural" - aquela em que, na teoria, há geração de crescimento sem inflação. "As estimativas dessa taxa serão continuamente reavaliadas pelo Comitê", informou a ata. "O Copom entende que a conjuntura econômica prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural", disse ainda o BC. 

 

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