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Banco Fibra, dos Steinbruch, procura sócio

Patrícia Cançado e Leandro Modé, de O Estado de S.Paulo

08 Novembro 2010 | 08h 44

Após três tentativas frustradas de IPO, família contrata Goldman Sachs para encontrar um comprador para parte do banco 

O Grupo Vicunha, controlador do Banco Fibra, colocou à venda uma parte da instituição financeira. No começo do ano, depois de um plano frustrado de abrir o capital na bolsa, o Goldman Sachs foi contratado para encontrar um sócio para o banco da família Steinbruch. O Fibra foi avaliado em R$ 1,6 bilhão, mas até agora não houve negociações com eventuais compradores, segundo o Estado apurou.

Por se tratar de um banco familiar e de médio porte, não seria fácil vender uma participação minoritária neste momento. Diante disso, os Steinbruch poderiam abrir mão do controle, de acordo com fontes próximas ao negócio. Procurado, o presidente do Fibra, Antônio Francisco de Lima Neto, confirmou a informação de que os controladores querem vender uma fatia do banco. "A família, que tem 92% do capital, sempre buscou sócios para crescer. Como não queríamos vender o banco a qualquer preço num IPO (oferta pública inicial de ações, na sigla em inglês), agora existe a possibilidade de trazer mais alguém para compor o capital", afirma Lima Neto. "Mas a única premissa é que a família continue no controle."

Segundo Lima Neto, o comprador poderia ser um banco estrangeiro que queira entrar no Brasil ou um fundo de private equity. Outra alternativa, diz ele, é uma fusão com outro banco.

O Fibra faz planos de vender uma fatia na bolsa desde 2007. A última tentativa foi no começo deste ano, mas todas foram abortadas em função das mudanças de humor do mercado. Sem o IPO, o grupo fez um aumento de capital e trouxe um sócio: a International Finance Corporation (IFC), braço financeiro do Banco Mundial, que comprou 7,9% do Fibra há três anos.

Expansão. Em agosto do ano passado, Lima Neto - que deixou a presidência do Banco do Brasil no auge da crise global por desagradar ao presidente Lula por segurar o crédito - assumiu o comando do Fibra. De lá para cá, implementou uma agenda de expansão dos negócios para além do segmento de pequenas e médias empresas. O objetivo principal era criar uma área voltada para o varejo.

O banco investiu no crédito consignado e no financiamento de veículos. Para cortar caminho, comprou a financeira do Banco Sofisa, pela qual pagou R$ 120 milhões, e a PauliCred, que fazia justamente as operações de financiamento de veículos e consignado do Banco Paulista.

Com a estratégia, o Fibra rapidamente mudou o mix da carteira de crédito. Se antes das operações as empresas respondiam por 100% dos empréstimos, em junho deste ano haviam caído para 75%. Os outros 25% já eram de pessoas físicas.

Por tudo isso, o mercado acreditava que o banco se preparava para abrir o capital, a exemplo do que fizeram outros bancos médios, como ABC Brasil, Bicbanco e Mercantil do Brasil.

Um analista que pede para não ser identificado observa, no entanto, que o processo de "limpeza" que antecede um IPO também serve para preparar uma empresa para venda. Ele acredita que, para um banco de grande porte, a aquisição do Fibra não faria sentido hoje. Por isso, avalia que seria uma opção interessante para um estrangeiro que queira entrar no Brasil.

No mais recente relatório do Banco Central (BC) com os 50 maiores bancos do País, o Fibra ocupava a 26.ª posição, com ativos de R$ 9,3 bilhões. No primeiro semestre, o banco lucrou R$ 32 milhões. No fim de junho, a carteira de crédito somava R$ 6,5 bilhões.

PARA LEMBRAR

As disputas entre as famílias Steinbruch e Rabinovich, que dividiam o controle da Vicunha, comprometeram o Banco Fibra entre o fim dos anos 90 e o início desta década. Em março de 2005, com a saída dos Rabinovich da sociedade, a situação melhorou. O Fibra foi criado em 1987 quase como um braço financeiro da Vicunha, mas depois ganhou vida própria.