Banco sugere 'vender Brasil' em 2014

Diminua investimentos no Brasil e só volte a comprar ativos no País depois das eleições. Essa é a recomendação da diretora de estratégia para câmbio na América Latina do Royal Bank of Scotland (RBS), Flavia Cattan-Naslausky.

Fernando Nakagawa, Correspondente - O Estado de S.Paulo

07 Janeiro 2014 | 02h05

LONDRES - No primeiro relatório de 2014 do RBS sobre o Brasil, a analista avalia que a situação no País ainda vai piorar antes de começar a reagir. Passada a corrida eleitoral, a diretora do RBS espera avanços na política econômica brasileira. Portanto, a sugestão é comprar ativos do País somente a partir de 2015 "independentemente de quem vencerá as eleições".

"Apesar do consenso negativo entre investidores estrangeiros e domésticos, ainda é muito cedo para reduzir a visão negativa sobre o Brasil. O quadro ainda ficará pior antes de começar a melhorar", diz a economista em relatório enviado ontem aos clientes do banco.

Entre os argumentos para a deterioração, a economista diz que a "ideologia está profundamente enraizada dentro do alto escalão" do governo federal.

Além disso, Flavia diz que há preocupação sobre a piora do quadro fiscal ao mesmo tempo em que os subsídios públicos crescem em vários setores da economia, como crédito via bancos públicos, energia nas mãos da Petrobrás, no setor produtivo e de infraestrutura por meio da participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e seguridade social altamente vinculada à indexação do salário mínimo.

Diante do quadro, a economista sugere diminuir cautela com o País. "Venda Brasil em 2014 e compre Brasil em 2015, independentemente de quem ganhar as eleições presidenciais. Um rebaixamento da nota soberana do Brasil e/ou um segundo turno altamente controverso são pontos de mudança para a política e a estratégia de investimento para ativos brasileiros", disse Flavia Cattan-Naslausky.

Eleições. A diretora do banco britânico diz que atualmente as chances de vitória de candidatos como Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) são pequenas. Ambos oposicionistas, eles têm criticado a política econômica e sugerem maior ortodoxia em um eventual governo. Diante desse quadro e com a real chance de piora do rating brasileiro, Flavia argumenta que a melhora dos fundamentos econômicos será importante em um eventual segundo mandato de Dilma Rousseff.

"Ela precisa entregar um país melhor que o recebido para tentar manter o Partido dos Trabalhadores no poder além de 2018. Uma segunda gestão seria capaz de manejar a piora do rating soberano em 2014, mas não a perda do grau de investimento no restante do mandato", diz Flavia. "E não há candidato natural do PT para uma vitória fácil (a menos que Lula volte). Isso sugere forte probabilidade de uma agenda de reformas estruturais em 2015."

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