Bancos fazem provisão para evitar perda com dólar

Os bancos fizeram provisões extraordinárias no terceiro trimestre do ano para cobrir eventuais perdas com o dólar. Com a medida, protegeram-se do recuo da moeda norte-americana e impediram uma explosão excessiva dos lucros, que poderia não se repetir em trimestres posteriores. O Itaú fez uma provisão adicional de R$ 310 milhões para evitar o impacto negativo que uma apreciação do real teria sobre a longa posição em dólar (de US$ 1,9 bilhão em 30 de setembro). Segundo explicou o diretor-executivo Silvio de Carvalho, o banco decidiu adotar uma posição conservadora e considerou que o dólar pode voltar à casa de R$ 2,50 (estava R$ 2,67 no final do terceiro trimestre). O Bradesco constituiu uma provisão extra de R$ 155 milhões, "para reforçar a blindagem contra a instabilidade do mercado e da economia", de acordo com o presidente da instituição, Márcio Cypriano. Esse montante entrou na conta "Provisão Adicional para Volatilidade", mas, de acordo com o executivo, pode ser utilizado para cobrir inadimplência em crédito, se necessário. A iniciativa reduziu o lucro líquido das instituições e pegou de surpresa os analistas de mercado, que não contavam com provisões e esperavam resultados maiores para o terceiro trimestre. Provisão permitirá aos bancos alinharem lucros O Itaú lucrou R$ 699 milhões no período, com aumento de 51,3% em relação ao mesmo intervalo de 2000, mas bastante inferior ao ganho de cerca de R$ 1 bilhão que eram esperados pelos analistas. O lucro do Bradesco ficou em R$ 518 milhões, contra R$ 622 milhões no segundo trimestre. O analista Antonio Klapka, do ABN Amro, avalia que a provisão permitirá aos bancos alinharem os lucros do terceiro e quarto trimestres. Se não a constituíssem, disse, os bancos correriam o risco de ter resultado enorme de julho a setembro e um bem menor no quarto trimestre, por exemplo. Até setembro, a valorização da moeda norte-americana proporcionou fortes ganhos às instituições brasileiras, que têm crédito em dólar e patrimônio no exterior. A provisão do Itaú é a maior, porque é o banco com mais ativos fora do País. Eleições impedem análise sobre 2002 Para o analista Paschoal Paione, da Fator Doria Atherino, os bancos aproveitaram o resultado forte de 2001 para fazer uma reserva, já que não sabem como será o ano de 2002, com eleição e instabilidade. "Se o dólar cair, evitam prejuízos. Se o problema não for tão grande, podem reverter as provisões e melhorar os lucros", disse. Na avaliação de Paione, o Unibanco não fez provisões extras porque tem uma rentabilidade mais "apertada" que os outros bancos. Mesmo com o provisionamento, Itaú e Bradesco acumulam resultado recorde no ano, até setembro. O diretor de Relações com Investidores do Unibanco, Cesar Sizenando, disse que o banco não constituiu reserva por estar pouco exposto à variação cambial. "Temos política de operar casado no exterior." Ele não revelou a posição ativa atual em dólar. O Unibanco lucrou R$ 300,6 milhões no terceiro trimestre, mais do que os R$ 220,3 milhões do segundo. Para um analista, a provisão de Itaú e Bradesco é uma forma de administrar a lucratividade. Foi feita para títulos e valores mobiliários, mas pode ser usadas para crédito, evitando problemas de inadimplência e queda do lucro futuro.

Agencia Estado,

03 Dezembro 2001 | 16h04

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.