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Bancos já operam longo prazo, mas com caixa do BNDES

Alexandre Rodrigues - O Estado de S.Paulo

16 Dezembro 2010 | 00h 00

Um dos objetivos do governo ao incentivar o crédito de longo prazo é estimular o setor bancário privado a oferecer prazos de mais de três anos, mas os bancos comerciais já têm experiência nesse tipo de operação. No entanto, a maioria só repassa recursos do BNDES, cuja sobrecarga o governo quer aliviar.

Entre janeiro e outubro deste ano, 55% do crédito do BNDES chegou aos tomadores por meio de mais de 70 bancos comerciais, nas chamadas operações indiretas. Elas somaram R$ 77,9 bilhões em linhas para máquinas (Finame), ativos fixos (Finem), exportação (Exim) e Cartão BNDES, muitas com juros subsidiados do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) desde 2009.

O maior parceiro do BNDES é o Banco do Brasil, com R$ 15 bilhões emprestados até outubro, seguido de perto pelo Bradesco, com R$ 14,5 bilhões. Ainda se destacam entre os credenciados Itaú Unibanco, Santander, CEF, HSBC e muitos bancos de montadoras, reflexo do financiamento a veículos comerciais pelo PSI. Só para caminhões, foram quase R$ 7 bilhões em crédito desde 2009.

Apesar da vantagem do baixo custo de capital do BNDES, sobre o qual aplicam um spread, os bancos comerciais ficam com a maior parte do risco das operações, já que são responsáveis pela análise de crédito dos contratos. Faltam fontes de captação para usarem recursos próprios nos financiamentos mais longos.

Para o professor Ricardo Carneiro, do Instituto de Economia da Unicamp, se as medidas realmente viabilizarem funding de longo prazo para os bancos, o BNDES poderá ter um alívio deixando para o setor privado financiamentos mais curtos, de até sete anos, como os de máquinas, que têm risco mais baixo.

Já para o ex-presidente do BNDES Carlos Lessa, professor do Instituto de Economia da UFRJ, o governo "vai ficar querendo" a participação do setor privado. Para ele, os bancos só têm interesse no lucrativo curto prazo e só vinham operando as linhas do BNDES como "isca" para seus outros produtos. Para ele, o resultado dos estímulos no setor bancário privado não será expressivo.

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