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Bancos mais comedidos na concessão de crédito

O Estado de S.Paulo

26 Junho 2014 | 02h 04

Os números da moeda e do crédito em maio, divulgados ontem pelo Banco Central (BC), explicam por que os bancos comerciais têm sido mais rigorosos na concessão de crédito tanto a pessoas físicas como a jurídicas. O BC constatou leve alta da inadimplência e novo aumento de juros e spread bancário (diferença entre o custo de captação e de aplicação de recursos). E a continuidade da tendência de desaceleração do crédito: o BC prevê que o crescimento caia de 14,7%, em 2013, para 12%, neste ano - ainda que, entre abril e maio, o crédito tenha crescido 1%, liderado por empréstimos imobiliários.

Um dos focos de preocupação é o crédito às indústrias, por causa do forte desaquecimento do setor (a projeção da última pesquisa Focus, do BC, é de queda da produção manufatureira). Daí a percepção de mais risco de atrasos no pagamento de fornecedores e de dívidas bancárias.

E há novos indícios do temor das famílias de tomar empréstimos. Pesquisa de junho da Confederação Nacional do Comércio (CNC) mostrou que o porcentual de famílias endividadas no cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnês, empréstimos pessoais, prestação de veículo e seguro caiu de 63%, em junho de 2013, para 62,5%.

A evolução lenta da renda real dos trabalhadores e a alta de juros dificultam o pagamento de empréstimos. Entre abril e maio, a taxa média para as pessoas físicas passou de 42% ao ano para 42,5%, nas operações de crédito livre, e de 7,7% ao ano para 7,9%, nas direcionadas.

As informações sobre a inadimplência não são uniformes: a CNC identificou queda no número de famílias com contas ou dívidas em atraso, entre maio e junho, inclusive no porcentual dos que declararam não ter condições de pagar as contas em atraso (de 2,5% em maio para 2,3% em junho). Mas, entre maio de 2013 e maio de 2014, a Serasa Experian registrou aumento do porcentual de cheques sem fundos, de 2,13% para 2,15%. Em abril, os dados do BC já mostraram maiores atrasos entre 15 dias e 90 dias nas operações com recursos livres. E, entre abril e maio, a inadimplência média do sistema financeiro passou de 4,4% para 4,5% nas pessoas físicas e de 1,9% para 2% nas jurídicas.

A contenção do crédito decorre do maior rigor com que os pedidos são analisados. Para a economia, menos crédito significa menos atividade, pois a maioria das famílias não dispõe de poupança prévia para consumir. Os dados recentes do PIB confirmam o desaquecimento.

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