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José Cruz/Agência Brasil

Barbosa diz que reservas são seguro importante e têm de ser preservadas

Ministro da Fazenda rejeita proposta do PT de usar recursos para promover investimentos; para ele, crise política não deve atrapalhar discussão sobre reformas no Congresso

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Francisco Carlos de Assis, Álvaro Campos,
O Estado de S.Paulo

11 Março 2016 | 16h03

 SÃO PAULO - O ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, afirmou nesta sexta-feira, 11, que as reservas internacionais são um ativo importante que precisa ser preservado. Questionado sobre o que acha da proposta do PT de usar as reservas para promover investimentos, o ministro, que se reuniu com lideranças do partido nesta quinta-feira, incluindo o ex-presidente Lula, disse que esse "seguro" dá autonomia de política econômica para o Brasil.

"As reservas são um ativo importante. É pela acumulação de reservas que hoje temos uma maior estabilidade no balanço de pagamentos, o que nos dá autonomia para discutir a solução dos nossos problemas com os brasileiros, com os empresários, trabalhadores e parlamentares brasileiros. É um seguro importante contra flutuações no câmbio e tem de ser preservado, especialmente nesse momento de turbulência", afirmou após reunião com membros do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

Barbosa comentou que tem conversado com o PT e o PMDB sobre vários temas, incluindo a reforma da Previdência. Segundo ele, nesse ponto as divergências são mais sobre a estratégia política de construção da proposta de reforma, e não sobre o mérito das mudanças. "Todos concordam que é preciso preservar a Previdência e isso envolve adotar alguma medida. Estamos discutindo a forma e o melhor tempo de apresentar essas mudanças. Eu acho importante apresentar depois das discussões do Fórum da Previdência, que foi um compromisso assumido pela presidente Dilma no ano passado", disse. 

Congresso. O ministro da Fazenda também afirmou que é possível para o governo aprovar medidas no Congresso mesmo no atual momento de turbulência política. "No ano passado o Congresso sempre se dispôs a discutir. Eles têm aprovado as coisas na direção apresentada pelo governo. Existem mudanças aqui e ali, de intensidade, mas no ano passado as reformas que encaminhamos foram aprovadas e creio que o mesmo possa acontecer este ano", afirmou após reunião com membros do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

O ministro não respondeu à pergunta sobre matéria divulgada nesta quinta-feira, 10, pelo Broadcast, serviço de informações da Agência Estado - citando fontes da equipe econômica - de que o governo estuda novos aumentos de tributos como um "plano B" no caso do Congresso não aprovar a volta da CPMF.

Barbosa disse que o encontro de hoje faz parte de uma série de reuniões com lideranças políticas, trabalhadores, mercado financeiro e setor empresarial, nas quais o governo apresenta sua estratégia de ações econômicas de curto e médio prazo. "Estamos ouvindo sugestões sobre onde podemos avançar, independentemente de leis ou mudanças que têm de passar pelo Congresso. Existe uma série de mudanças administrativas, de desburocratização, simplificação, que a gente pode adotar. Vamos trabalhar nisso nas próximas semanas", afirmou.

Questionado se ouviu críticas, Barbosa disse que no encontro foi expressado um "anseio" por medidas que melhorem o funcionamento da economia, além de uma concordância geral de que é preciso adotar ações para estabilizar a atividade no curto prazo, preservando emprego e renda, e ao mesmo tempo encaminhar solução para os problemas estruturais, garantindo a estabilidade fiscal e o controle da inflação.

Entre os empresários reunidos com Barbosa estavam representantes da Suzano Papel e Celulose, Confecções Guararapes, M. Dias Branco, Klabin, Totvs, Natura, Embraer, Ultrapar, Odebrecht Agroindustrial e Camargo Corrêa.

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