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Barbosa nega volta às políticas do primeiro mandato

Para ministro, governo não deve ser avaliado em um contexto de ‘heterodoxia’ ou ‘ortodoxia’

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Fernando Nakagawa, Fernando Dantas, enviados especiais,
O Estado de S.Paulo

21 Janeiro 2016 | 23h05

DAVOS - O debate sobre a política econômica adotada pelo governo brasileiro não deve ser avaliado pelo dualismo entre “heterodoxia” e “ortodoxia”. A avaliação é do ministro da Fazenda, Nelson Barbosa. Para ele, que é taxado de desenvolvimentista pelo mercado financeiro, as ações propostas pelo governo – como o incentivo à oferta de crédito para alguns setores da economia – devem ser avaliadas pela eficiência para ajudar na retomada do crescimento.

“Acho que heterodoxia e ortodoxia não são corretos para avaliar. É algo de ser eficiente ou não eficiente”, disse ao ser questionado sobre a percepção de economistas de que o esforço para incentivar o crédito seria uma medida “heterodoxa” dentro do ajuste fiscal. Entre os segmentos que devem ser beneficiados por novos empréstimos, está o capital de giro para agricultura e construção. “No momento em que a economia precisa de capital de giro e havendo recursos sem custo adicional, é obrigação fazer isso.”

Barbosa nega que o apoio ao crédito seja uma volta às políticas do primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff. “Estamos falando de usar espaço financeiro dentro da legislação vigente. São operações que ocorriam antes de 2008. O crédito do BNDES com a Taxa de Juro de Longo Prazo existe há muito tempo. Foi novo colocar equalização de juros”, disse ele, ao argumentar que a política de subsidiar o crédito “foi usada enquanto foi necessário”.

“Agora, estamos voltando a práticas normais e não vejo nada de heterodoxo nisso”, disse, ao frisar que esses financiamentos não terão custo fiscal. Além do BNDES sem subsídio, Barbosa prometeu a volta da operação de pré-custeio ao setor agrícola e mais financiamentos com a liquidez disponível gerada pelo aumento dos depósitos de poupança no Banco do Brasil e pelo pagamento das pedaladas ao FGTS.

Sobre o ceticismo e a relativa descrença de parte dos economistas com o trabalho do novo ministro, Barbosa respondeu que “as ações vão falar por si mesmo”. “As pessoas estão entendendo a sequência da política de estabilização. Cada política acontece na sua velocidade”, disse, ao lembrar que promessas feitas há um ano – como a reforma do seguro-desemprego, da pensão por morte e a correção de preços de combustíveis, energia e câmbio – foram executadas nos últimos meses. “Isso não elimina o fato de que muito precisa ser feito”, disse.

Questionado sobre eventual diferença entre a percepção dos brasileiros e estrangeiros sobre o trabalho do novo ministro, Barbosa encara com naturalidade que os nacionais sejam mais críticos. “Sempre somos mais críticos com que nós conhecemos melhor. A auto crítica é boa porque força melhorar”, disse, ao citar que o pessimismo, porém, “não pode ser exagerado porque temos muitos acertos”.

Retomada. O ministro acredita que a economia brasileira poderá voltar a crescer no quarto trimestre de 2016. Mesmo assim, o ano deve terminar em recessão. Após reunião com vários investidores e executivos internacionais, Barbosa anunciou que o governo deve trabalhar para ter uma agência para atrair investimentos internacionais. Em tempos de ajuste fiscal, ele ressaltou, porém, que nenhum órgão novo será criado.

Após conversar com diversos investidores internacionais, Barbosa disse que “a maior angústia” de estrangeiros é a necessidade de melhora da regulação no Brasil, como o sistema tributário. O encaminhamento desses problemas poderia potencializar o crescimento no País, disse o ministro.

Diante desse cenário, ele disse que o governo deve trabalhar para criar uma agência de fomento ao investimento estrangeiro em conjunto com o Ministério do Planejamento.

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