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Fernando Bizerra/EFE

BB vai começar a liberar R$ 10 bi para a agricultura na segunda

Crédito para o pré-custeio faz parte de pacote de R$ 83 milhões anunciado pelo governo na reunião do 'Conselhão', mas dinheiro já seria oferecido, mesmo fora do programa de estímulos

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Victor Martins, Rachel Gamarski,
O Estado de S.Paulo

29 Janeiro 2016 | 21h50

BRASÍLIA - Parte do pacote de crédito anunciado na quinta-feira começa a sair do papel na segunda-feira, quando o Banco do Brasil inicia as operações para liberar até R$ 10 bilhões em financiamentos de pré-custeio para agricultores. Mas não é dinheiro, como fez parecer o anúncio do governo. Ele já seria oferecido pela instituição financeira antes que quaisquer das medidas que foram apresentadas fossem desenhadas.

Oficialmente, o governo tem dito que os recursos vieram de aumento nos depósitos da poupança rural e depósitos à vista. Fontes, no entanto, garantem que o BB já programava liberar esses valores quando o último Plano Safra foi lançado, em julho do ano passado. Naquela época, a afirmação “não vai faltar dinheiro para o pré-custeio” era repetida quase como um mantra dentro do BB e do Ministério da Agricultura.

As linhas que começam a ser operadas a partir da próxima semana têm como fundo a poupança rural e os depósitos à vista. Segundo o BB, o volume deste ano é 22% superior ao que foi desembolsado na última edição. Para o agricultor, porém, a diferença será como um incremento de 100%.

Atraso. As linhas que foram ofertadas pelo banco no ano passado eram uma mistura de produtos, um pedaço do crédito era com juros controlados e outro com taxas de mercado. Ainda assim, esses recursos demoram a sair e houve atraso na compra de insumos para a produção. A ministra da Agricultura, Kátia Abreu, em entrevista na tarde de ontem, afirmou que, diferentemente do ano passado (quando não havia funding suficiente), o governo trabalhou para não deixar faltar o dinheiro do pré-custeio. Segundo ela, essa linha é essencial para a organização da safra e para garantir a produtividade e competitividade do campo.

De acordo com o BB, os recursos estarão disponíveis aos médios produtores por meio do Pronamp (Programa Nacional de Apoio aos Médios Produtores Rurais) com taxas de 7,75% ao ano, e o limite máximo é de R$ 710 mil. Os demais produtores rurais acessam o crédito com encargos de 8,75% ao ano até o teto de R$ 1,2 milhão por beneficiário. O banco esclareceu ainda que a disponibilidade de recursos resulta de uma combinação de fatores relacionados, principalmente, à elevação da exigibilidade da Poupança Rural de 72% para 74%, na safra 2015/2016.

O Banco do Brasil destacou ainda acreditar que o setor “permanece com condições favoráveis de crescimento, em decorrência da crescente demanda mundial por alimentos, margens positivas e remuneradoras e destacada capacidade de geração de divisas e empregos para o País”.

Caixa. A Caixa Econômica Federal, por sua vez, informou que aguarda a aprovação do conselho curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para oferecer os montantes extras para financiamentos com recursos do fundo, que foram anunciados no pacote de crédito do governo. É esperada uma injeção adicional de R$ 10 bilhões para o financiamento imobiliário.

De acordo com a Caixa, as taxas variam de 4,5% ao ano a 8,16% e financiam a compra de imóveis de até R$ 400 mil. A Caixa também deverá destinar mais recursos do fundo ao financiamento de projetos de infraestrutura e saneamento, que também ainda dependem de aprovação do conselho curador do FGTS. /COLABOROU LORENNA RODRIGUES

 

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