André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

BC decide cortar Selic para 9,25% ao ano

No 7º corte seguido nos juros, taxa chega a um dígito pela primeira vez desde 2013; Temer comemora no Twitter

Fabrício de Castro, Fernando Nakagawa e Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

26 Julho 2017 | 18h01

BRASÍLIA - A despeito do aumento das incertezas sobre o andamento das reformas estruturais, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, por unanimidade, reduzir a Selic (a taxa básica de juros) em 1 ponto porcentual, de 10,25% para 9,25% ao ano. O corte foi o sétimo consecutivo e coloca a Selic novamente em um dígito após quase quatro anos. Este é o menor patamar para a taxa desde agosto de 2013, quando estava em 9,00% ao ano.

A decisão era largamente esperada pelos economistas do mercado De um total de 41 instituições consultadas pelo Projeções Broadcast, 39 esperavam corte de 1 ponto porcentual da Selic, enquanto duas projetavam redução de 0,75 ponto porcentual.

No comunicado que acompanhou a decisão, a instituição reconhece que há aumento das incertezas sobre o andamento das reformas estruturais. Mesmo assim, os diretores do BC defendem que há espaço para a continuidade da flexibilização da política monetária.

"O Copom ressalta que a manutenção das condições econômicas, até este momento, a despeito do aumento de incerteza quanto ao ritmo de implementação de reformas e ajustes na economia, permitiu a manutenção do ritmo de flexibilização nesta reunião", cita o comunicado. O BC, porém, não se compromete com a continuidade do ritmo de corte da taxa de juros nas próximas reuniões e diz que isso só será possível se as condições do cenário básico avaliado pela instituição não forem alteradas. "Para a próxima reunião, a manutenção deste ritmo dependerá da permanência das condições descritas no cenário básico do Copom e de estimativas da extensão do ciclo", cita o documento. "O ritmo de flexibilização continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, de possíveis reavaliações da estimativa da extensão do ciclo e das projeções e expectativas de inflação", completa o comunicado.

No documento, o BC também atualizou suas projeções para a inflação. No cenário de mercado – que utiliza expectativas para câmbio e juros do mercado financeiro –, o BC alterou sua projeção para o IPCA em 2017 de 3,8% para 3,6%. No caso de 2018, a expectativa foi de 4,5% para 4,3%

 

+ Inflação tem primeiro resultado negativo para um mês em 11 anos

Temer comemora. Poucos minutos após o anúncio do Copom, o presidente Michel Temer usou o Twitter para comemorar a decisão. "Juros abaixo de um dígito pela 1ª vez em 4 anos. Menor inflação em uma década. Com responsabilidade, estamos mudando o Brasil para melhor", escreveu.

Temer destacou ainda que a redução dos juros incentiva investimentos produtivos que geram mais empregos. "Com trabalho, estamos colocando a economia nos trilhos".

Em linha com o mercado, interlocutores do presidente esperavam a redução de 1 ponto porcentual na Selic. O discurso oficial é que o Banco Central é independente, mas auxiliares não escondiam que mais um corte na taxa de juros seria um bom elemento para que o governo mantenha o discurso de retomada e de que segue trabalhando independente das crises.

 

 

 

 

Mais conteúdo sobre:
Banco Central do Brasil

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.