Sergio Moraes/Reuters
Sergio Moraes/Reuters

BC deve estender ciclo de alta da taxa de juros

Tombini reafirma disposição de levar a inflação para o centro da meta em 2016, sinal, dizem analistas, de que o BC elevará os juros para 13,75% ao ano

Ricardo Leopoldo, Idiana Tomazelli, Vinicius Neder, O Estado de S. Paulo

22 Maio 2015 | 13h12

Atualizado às 22h26 

O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, reforçou o discurso de que a política de aperto de juros seguirá “vigilante” com a inflação, palavra que citou três vezes no discurso de encerramento do XVII Seminário de Metas para a Inflação, no Rio. Em três momentos, ele afirmou que o BC levará a inflação à meta de 4,5% no fim de 2016.

Seria uma forte redução em relação aos números previstos pelo mercado. Os analistas ouvidos no boletim Focus, consulta semanal feita pelo BC, preveem inflação de 8,31% para 2015 e 5,50% para 2016.

Desde a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em abril, o BC adotou um tom mais firme, indicando que está disposto a fazer a inflação convergir à meta no fim do ano que vem. Nesta sexta-feira, Tombini insistiu no recado, para convencer economistas e analistas da decisão do banco.

Expectativas. Esse tipo de mensagem é conhecido no mercado como “ancoragem de expectativas”. Nos modelos econométricos que o BC utiliza para auxiliar na decisão sobre a taxa de juros básica, a Selic, as expectativas têm um peso grande.

“É fundamental para o sucesso do nosso processo de ajustes em 2015 e para as perspectivas de iniciar um novo ciclo de crescimento sustentável mais à frente, que esse cenário de convergência se materialize como resultado da vigilância da política monetária”, afirmou Tombini.

O presidente do BC reiterou que, apesar de registrar avanços, como a gradual redução das expectativas de inflação de 2017 a 2019, eles ainda não se mostram suficientes.

Para economistas, esse comentário está sendo ressaltado pelo BC para indicar que a elevação de juros iniciada em outubro será estendida. No mercado, a aposta majoritária é de que o Copom elevará a Selic de 13,25% para 13,75% no próximo dia 3, quando será encerrada a reunião de junho. O discurso desta sexta-feira reforçou essa posição.

“Com essa postura consistente com o quadro de ajustes da nossa política macroeconômica, conseguiremos assegurar a convergência da inflação para a meta de 4,5% em dezembro de 2016”, comentou Tombini, ressaltando que o BC cumprirá seus objetivos com “determinação e perseverança”.

Juros dos EUA. O presidente do BC também comentou que é importante a economia fazer ajustes para manter sua solidez, a fim de estar preparada para o movimento de alta de juros nos Estados Unidos. O banco central americano deverá elevar a taxa de juros ainda neste ano.

Com a alta de juros por lá, a tendência é que os capitais financeiros saiam dos mercado emergentes em direção aos Estados Unidos e provoquem a alta do dólar – o que pode pressionar o preço dos produtos importados e prejudicar o combate à inflação.
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